quarta-feira, maio 24

A paixão enlouquece

Aquela amiga que fez o filme porno está a passar um mau bocado! A forte depressão que apanhou a seguir, e com todos os antidepressivos que está a tomar, está a ficar de tal forma, que eu acho que isto que está a ultrapassar tudo o que se possa imaginar.

O médico psiquiatra que é amigo dela aconselhou-a a arranjar imediatamente outro homem para substituir o que a estava a fazer sofrer tanto, pois só assim se curava.

Como ela está de facto fragilizada, não esperou tempo nenhum e de imediato combina um encontro com um amigo de Viseu que andava doido para a comer.

Ele ficou radiante por ter a situação tão facilitada, que lhe pediu se ela ia ter com ele a Viseu, e se poderia lá estar por volta das dez horas da manhã para poderem estar um bom bocado juntos.

Como ela entendeu naquela cabeça doente que quanto mais depressa fosse para a cama com outro, mais depressa se curava, às oito horas da manhã já estava em Viseu.

O outro ficou espantado com aquela pressa toda, mas lá tomou banho à pressa para ir ao encontro.

A verdade é que a coisa nem teria corrido mal se ela, enquanto ele a montava desde as nove horas até à uma da tarde, não estivesse o tempo todo a gritar debaixo deste pelo nome do outro.

Ora bem, ninguém gosta disto! Mas como não desgostou da situação, mesmo sendo chamado pelo novo nome que ela fazia questão de lhe chamar, ainda marcaram outro encontro.

Mas como ela via neste homem a cura para os seus males, começou a exigir que ele fosse para a cama com ela duas ou três vezes por semana.Aí ele passou-se e acabou com aquilo de imediato, pois não tinha disponibilidade para estar fora da sua empresa tanto tempo como ela queria.

Eu gosto imenso dela, mas estou a ficar sem paciência, pois também tenho a minha vida.
No sábado passado, às oito da manhã, já ela me estava a telefonar para eu ir sair com ela, pois queria ir a Leiria às compras. Chateei-me com o horário das compras e desliguei-lhe o telefone na cara, meu Deus, mas que manhã eu tive! Ela não admite ser contrariada e veio de imediato para minha casa.

Quando a campainha da minha porta começa a tocar sem parar, eu levantei-me da cama e fui abrir, pois não queria que ela acordasse o prédio inteiro.

Vocês acreditam que era um vizinho meu com ela ao colo, pois ela tinha conseguido atropelar-se a ela própria com o seu próprio carro?

Pois bem, os nervos dela foram de tal ordem por eu não a atender, que saiu do carro sem o travar, e o carro passou-lhe por cima até que uns senhores que estavam aqui por perto o seguraram! De qualquer maneira, o carro veio contra as pernas dela e ela caiu. Embora ficasse com os dois joelhos danificados e amassados, não ficou com nada partido.

Lá ficou toda a manhã deitada no meu sofá com gelo nas pernas, e eu a dar-lhe comprimidos para as dores.

Não a levei ao hospital, pois ela já tinha sido assistida por um médico aqui mesmo por baixo do prédio em que vivo, que lhe tirou logo as botas para o caso de ter fracturado as pernas.

Por acaso, estava maltratada, mas sem nada partido, porque nesse caso eu ficaria a sentir-me muito culpada por não lhe ter atendido o telefone.

Eu perdi o meu sossego. Acreditem que todos os dias rezo para que ela arranje homem com muita urgência, pois não gostaria mesmo nada que fosse uma mulher a dar cabo de mim.

Pois bem: para tudo o que me anda a acontecer – pois ela grita e chora que não me posso zangar com ela neste momento em que anda tão doente – só tenho este comentário: os deuses devem estar loucos!