segunda-feira, maio 8

A hora da despedida

Foi triste! Mas mesmo muito triste. A minha amiga quis ver mais uma vez o homem que ela pensa que ama, e foi para a porta dele esperar que ele saísse para o trabalho.

Deixou o carro ao fundo da rua onde ele mora, e foi a pé para perto da porta da casa dele. A discussão foi terrível, pois ele jurou que, se ela lá fosse mais alguma vez, lhe passava com o carro por cima.

Ela veio embora com medo, pois qualquer doente depressivo entra em pânico facilmente.

Como nós tínhamos estado no parque do hospital e ela tinha combinado ir lá na sexta-feira para resolver com ele qualquer coisa relacionada com cartões de saúde, a coisa ficou por aí.

Qual não é o meu espanto quando ela, depois de ser ameaçada, ainda quis ir novamente para o hospital discutir com ele.

Fiz o que pude para lhe tirar tal ideia da cabeça, e ela por fim cedeu.

Hoje, que era o dia combinado para o encontro às duas da tarde, eu pensei por ela, e disse-lhe: «Não vás às duas, vai de manhã, porque ele pode pôr a mulher a receber-te, dado que ela já sabe de tudo, além de ter conhecimento das taras sexuais dele.»

Qual não é meu espanto quando ela me pede a mim para eu lhe telefonar a avisá-lo de que ia da parte da manhã, pois ela, depois de ele a ameaçar, ainda lhe telefonou umas vinte vezes (sem ele a atender, claro!).

Passei-me e desliguei-lhe o telefone na cara.
Telefona-me outra vez, e mandei a minha secretária atender para lhe fazer
entender que nesse caso seria novamente a mulher a estar lá. Visto ela querer mais uma vez avisá-lo da hora da visita. Por fim entendeu.

Ele hoje tratou-a mal quando a viu lá sem ser na hora combinada, pois, como é cobarde, estava com medo de a enfrentar.

A minha amiga esperou meia hora, mas as coisas não correram mal. Ele explicou-lhe que estava a sofrer muito com a mulher, o que eu até acredito, pois ninguém gosta de viver com um tarado, que estava muito habituado a fazer sexo no gabinete, que a partir desta história toda a mulher o iria guardar como um cão de fila, e que, como o fetiche dele era o sexo oral no local de trabalho, iria sofrer muito com isto tudo, etc.

Pelo que me foi dado perceber, aqui ele é que era a vítima.
Este homem, se é que se pode chamar assim a um traste que usa as suas doentes para satisfazer as suas taras sexuais, só pode estar louco.

Tenho pena que não haja respeito por um ser humano, que ainda por cima está doente, fragilizado, e à espera do apoio de alguém que o possa ajudar.

Nada! É usado e tem vergonha de denunciar tais situações, pois, como se diz na gíria, quem se lixa é o mais fraco.

Esta minha amiga não bate muito bem, mas de qualquer maneira andou a ser seduzida durante dois anos, pois este porco nem tem ponta por onde se lhe pegue, além de ser impotente.

Talvez eu tenha sido a única mulher que lhe perguntou porque é que ele fazia esses jogos de sedução sendo impotente.
Nem sequer me respondeu, olhou para mim com uma expressão vazia e nada disse.
Podia e muito bem ter-me respondido que eu não tinha nada que ver com a vida dele, mas não! Teve medo do que iria ouvir.

Hoje mandou-me recado para dispor dele quando quisesse, porque eu até era uma pessoa moderada.

Como este anormal, além de tarado, é burro! Eu só acalmei a situação para a minha amiga não estragar o casamento dela.

Obrigada, Sr. Doutor! Se alguma vez precisar, vou tentar ir a um médico normal e decente. Pois há tanto médico humano e decente por aí, que eu acho muito sinceramente que o senhor é a vergonha da classe médica portuguesa.

Onde já se viu? Tenho é pena que não me tivesse feito isto a mim, que sou livre e desimpedida! De qualquer maneira, cuidado! Porque posso muito bem pagar as consultas a alguém que nada tenha a perder, e aí arrumar consigo de vez.

Tome isto em consideração! E veja se começa a respeitar quem precisa de ajuda médica e não de sexo.