A Tareia
Hoje vieram fazer-me um convite para uma matança de um porco.
Um convite feito com muita cerimónia, fazendo o casal muita questão que eu fosse, pois ia um alto funcionário das finanças, um director de um banco, médico de família, enfim… convidaram as pessoas que eles acharam mais importantes e que lhes podiam ser úteis na vida comercial deles.
Estávamos no mês de Janeiro, o frio era muito, as casas nas aldeias são frias e com pouco conforto, bem... a vontade de ir era nenhuma, mas não tive como desmarcar-me e aceitei.
Chamei a minha irmã, para não ir sozinha, e lá fomos para a grande farra. Quando chegámos, andava a família toda envolvida a fazer o sarrabulho, a grelhar as febras... Só os donos da casa é que não apareciam!
Entretanto, nós, os convidados de grande cerimónia, vimos um baralho de cartas em cima de uma mesa e sentámo-nos para começar uma sueca que durou parte da noite.
Como o jantar não havia meio de ser servido, continuamos a jogar.
Lá pelas tantas da noite, aparece uma travessa com batatas já frias e muito tesas – eu provei! A dona da casa já vinha com um olho todo vermelho e a dizer: «Isto não fica assim!»
Olhámos uns para os outros sem compreender, e nada dissemos.
Entretanto, começámos a ouvir uns barulhos de fundo que não nos deixaram dúvidas do que se estava a passar lá dentro… e nada de nos pôr comida na mesa, até porque entretanto até as velhas tinham desaparecido.
Talvez uma meia hora depois, aparecem umas febras muito queimadas, e a dona da casa com um olho já todo negro.
Alguns dos convidados já tinham saído de mansinho, pois não estiveram para aguardar pelo desfecho daquilo.
Nós, os que estávamos no jogo, não demos muito por o tempo passar. Foi então que eles se aperceberam de que já não havia grande parte dos convidados.
A partir daí a pancadaria foi de tal ordem, que tivemos de transportar os dois para o hospital dos Covões.
Ela, farta de apanhar, sem poder abrir o bico para não incomodar as visitas, revoltou-se..., agarra numa cadeira e começa a dar-lhe com ela pelas costas abaixo, que lhe partiu logo uma clavícula.
Chamámos uma ambulância, foram para o hospital, e o marido ficou internado. Já no hospital, ainda lhe mandou umas biqueiradas nas pernas.
Ela veio para casa com os olhos todos negros, mas contente por ter posto o marido na ordem.
Continuam juntos, e ele não põe o pé na argola, pois morre de medo dela.
Acho que ele escolheu mal o dia para fazer tal cena, mas nós gostamos de ver um homem com um físico daqueles a levar uma tareia que até Deus se admira.
Um convite feito com muita cerimónia, fazendo o casal muita questão que eu fosse, pois ia um alto funcionário das finanças, um director de um banco, médico de família, enfim… convidaram as pessoas que eles acharam mais importantes e que lhes podiam ser úteis na vida comercial deles.
Estávamos no mês de Janeiro, o frio era muito, as casas nas aldeias são frias e com pouco conforto, bem... a vontade de ir era nenhuma, mas não tive como desmarcar-me e aceitei.
Chamei a minha irmã, para não ir sozinha, e lá fomos para a grande farra. Quando chegámos, andava a família toda envolvida a fazer o sarrabulho, a grelhar as febras... Só os donos da casa é que não apareciam!
Entretanto, nós, os convidados de grande cerimónia, vimos um baralho de cartas em cima de uma mesa e sentámo-nos para começar uma sueca que durou parte da noite.
Como o jantar não havia meio de ser servido, continuamos a jogar.
Lá pelas tantas da noite, aparece uma travessa com batatas já frias e muito tesas – eu provei! A dona da casa já vinha com um olho todo vermelho e a dizer: «Isto não fica assim!»
Olhámos uns para os outros sem compreender, e nada dissemos.
Entretanto, começámos a ouvir uns barulhos de fundo que não nos deixaram dúvidas do que se estava a passar lá dentro… e nada de nos pôr comida na mesa, até porque entretanto até as velhas tinham desaparecido.
Talvez uma meia hora depois, aparecem umas febras muito queimadas, e a dona da casa com um olho já todo negro.
Alguns dos convidados já tinham saído de mansinho, pois não estiveram para aguardar pelo desfecho daquilo.
Nós, os que estávamos no jogo, não demos muito por o tempo passar. Foi então que eles se aperceberam de que já não havia grande parte dos convidados.
A partir daí a pancadaria foi de tal ordem, que tivemos de transportar os dois para o hospital dos Covões.
Ela, farta de apanhar, sem poder abrir o bico para não incomodar as visitas, revoltou-se..., agarra numa cadeira e começa a dar-lhe com ela pelas costas abaixo, que lhe partiu logo uma clavícula.
Chamámos uma ambulância, foram para o hospital, e o marido ficou internado. Já no hospital, ainda lhe mandou umas biqueiradas nas pernas.
Ela veio para casa com os olhos todos negros, mas contente por ter posto o marido na ordem.
Continuam juntos, e ele não põe o pé na argola, pois morre de medo dela.
Acho que ele escolheu mal o dia para fazer tal cena, mas nós gostamos de ver um homem com um físico daqueles a levar uma tareia que até Deus se admira.

<< Home