A Páscoa
Como já vai sendo hábito, passo todas as festas mais importantes do ano na Suíça, país onde vive a minha filha.
Pois este ano lá fui uma vez mais, com a mala cheia de prendinhas.
No Domingo de Páscoa, depois de dormirmos até mais tarde, arranjámo-nos e fomos à procura de um restaurante para almoçar. Como a minha filha é igual a mim, não programámos nada com a devida antecedência.
Saímos de casa perto da uma hora da tarde, e começámos a fazer a ronda
aos restaurantes onde mais gostamos de comer. Depois de darmos voltas por tudo o que era sítio e termos encontrando tudo fechado, a minha filha lembrou-se de ligar para um amigo português, que é bancário em Lausana, para lhe perguntar onde poderíamos arranjar um restaurante que estivesse aberto para podermos almoçar.
Fácil, o restaurante do Benfica, que é um dos locais onde os portugueses gostam de comemorar os dias mais festivos do ano.
Quando chegámos, já tínhamos mesa reservada, e lá comemos.
No fim da refeição, qual não é o meu espanto, dado que Coimbra é uma cidade muito reservada, quando o conjunto musical português me começa a tocar “Coimbra É Uma Lição” e as portuguesas começam a trazer para a nossa mesa tudo quanto eram sobremesas caseiras, pois é habito levarem de casa todo o tipo de doces, cada um da sua região, claro.
Ao mesmo tempo que fiquei emocionada, fiquei envergonhada também ao lembrar-me da maneira e do trato que nós aqui damos aos emigrantes portugueses quando eles vêm de férias para visitar os seus amigos e familiares e tentar levar uma boa recordação do seu país para aguentarem mais um ano de trabalho duro mas honesto.
Eu já senti na pele esse tratamento VIP quando conduzo o carro da minha filha, que, como é óbvio, tem matrícula suíça.
Tanto faz conduzir depressa como devagar, sou sempre tratada de filha-da-puta para cima; não ligo nenhuma e rio-me, mas depois desta bonita recepção fiquei a pensar no assunto.
Devíamos ter vergonha, que porcaria de gente é que aqui vive?
Que porcaria de país é este, que nem sequer se lembra de que são estes portugueses humildes mas dignos que contribuem em parte para a nossa triste economia?
Continuo a dizer: devíamos ter vergonha na cara e ser tão bons anfitriões como eles são connosco.
Será inveja por eles não andarem a contar os trocos e serem tão bem recebidos pelas entidades bancárias?
É que há por aqui tanto senhor engravatado que, quando entra no banco, os gerentes se escondem...
Devíamos mesmo era ter vergonha na cara.
Pois este ano lá fui uma vez mais, com a mala cheia de prendinhas.
No Domingo de Páscoa, depois de dormirmos até mais tarde, arranjámo-nos e fomos à procura de um restaurante para almoçar. Como a minha filha é igual a mim, não programámos nada com a devida antecedência.
Saímos de casa perto da uma hora da tarde, e começámos a fazer a ronda
aos restaurantes onde mais gostamos de comer. Depois de darmos voltas por tudo o que era sítio e termos encontrando tudo fechado, a minha filha lembrou-se de ligar para um amigo português, que é bancário em Lausana, para lhe perguntar onde poderíamos arranjar um restaurante que estivesse aberto para podermos almoçar.
Fácil, o restaurante do Benfica, que é um dos locais onde os portugueses gostam de comemorar os dias mais festivos do ano.
Quando chegámos, já tínhamos mesa reservada, e lá comemos.
No fim da refeição, qual não é o meu espanto, dado que Coimbra é uma cidade muito reservada, quando o conjunto musical português me começa a tocar “Coimbra É Uma Lição” e as portuguesas começam a trazer para a nossa mesa tudo quanto eram sobremesas caseiras, pois é habito levarem de casa todo o tipo de doces, cada um da sua região, claro.
Ao mesmo tempo que fiquei emocionada, fiquei envergonhada também ao lembrar-me da maneira e do trato que nós aqui damos aos emigrantes portugueses quando eles vêm de férias para visitar os seus amigos e familiares e tentar levar uma boa recordação do seu país para aguentarem mais um ano de trabalho duro mas honesto.
Eu já senti na pele esse tratamento VIP quando conduzo o carro da minha filha, que, como é óbvio, tem matrícula suíça.
Tanto faz conduzir depressa como devagar, sou sempre tratada de filha-da-puta para cima; não ligo nenhuma e rio-me, mas depois desta bonita recepção fiquei a pensar no assunto.
Devíamos ter vergonha, que porcaria de gente é que aqui vive?
Que porcaria de país é este, que nem sequer se lembra de que são estes portugueses humildes mas dignos que contribuem em parte para a nossa triste economia?
Continuo a dizer: devíamos ter vergonha na cara e ser tão bons anfitriões como eles são connosco.
Será inveja por eles não andarem a contar os trocos e serem tão bem recebidos pelas entidades bancárias?
É que há por aqui tanto senhor engravatado que, quando entra no banco, os gerentes se escondem...
Devíamos mesmo era ter vergonha na cara.

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