terça-feira, abril 18

A ida ao psiquiatra

Cá por casa estão sempre a passar-se acontecimentos que merecem ser contados, pois cada um é mais complicado que o outro.

Nesta semana, uma grande amiga cá de casa sofreu um desgosto amoroso.
Como gosto imenso dela, resolvi que lhe arranjaria um psiquiatra de graça, dadas as suas poucas possibilidades económicas.

Como o médico a quem a vou recomendar é um garanhão à moda antiga, lá tive, junto com outra grande amiga, de arranjar uma estratégia para o doutor não se preparar para lhe saltar logo para cima.
Como ele próprio afirma, as mulheres nestas situações primeiro vão para a cama com o psiquiatra, e a seguir com o advogado! Com o entendido de leis, todos nós sabemos que é prática corrente, com o médico... nem sempre.

Ora bem, sentamo-nos as três a tomar um café e lá resolvemos que diríamos ao clínico que o desgosto amoroso da nossa amiga era por causa de uma mulher. Decidimos então que ela teria de se fazer passar por lésbica, e que daí viria a sua depressão.

Pior a emenda que o soneto! A minha amiga lá foi à consulta e, como ela é de facto uma mulher com boa apresentação, isto não está a resultar nada, pois ele quer tirar-lhe tal ideia da cabeça, e até já lhe quer proporcionar uma matiné amorosa para a fazer chegar à conclusão de que o que é bom é mesmo um homem a sério, coisa que ela está farta de saber!

Lá tivemos de preparar outra reunião de emergência para decidirmos o que é que se devia fazer para ver se o empaliamos até que a nossa amiga comum fique pelo menos melhor.

Como a aniversariante do episódio anterior tem mais tempo que eu e mais jeito para estas coisas, lá combina um café com o médico no Atrium, que é um dos locais de encontro mais calmos cá de Coimbra.

Consegue sem dificuldade aliciá-lo a encontrar-se com uma cabeleireira, pessoa batida nestes encontros, e sem sentimentos.

Lá se deu o tal encontro na casa da cabeleireira, que começa por lhe contar as dificuldades económicas por que está a passar neste momento de crise e por aí fora.

Como este homem é sovina, a coisa não lhe agradou mesmo nada!

A tal cabeleireira, que é um refinado coirão, quando viu que as coisas não iam ser fáceis com o velho batido, pôs um cão rafeiro que tem em casa na cama entre os dois.

O cão, além de rafeiro, é mau, e o médico nem sequer conseguiu uma aproximação da dona, pois de cada vez que tentava, o cão ladrava-lhe.

A verdade é que o velho psiquiatra está a voltar à carga, além de se fartar de dizer mal da outra, pois este homem tem uma língua perversa.

Está para aqui tal confusão, que nós não sabemos mesmo como resolver. Alguém tem ideias?