quinta-feira, março 23

Viagem a Andorra

Conheço há alguns anos uma boa rapariga que teve a pouca sorte de se apaixonar por um traste do pior.

Homem sem moral, sem escrúpulos e, pior que tudo, sem vergonha. Esta rapariga tinha um bom emprego, ele tratou de lhe dar a volta e de lhe fazer promessas de casamento, até que ela se despediu do trabalho que tinha há anos, para fazer vida com este traste, que era chulo até à quinta casa, e que viu ali uma maneira de lhe sacar a massa que ela iria receber ao despedir-se do trabalho dela.

Foram passear com o dinheiro dela para Andorra. Aquilo não foi uma viagem, foi um inferno! Ele sempre maldisposto, e a mulher dele a telefonar o tempo todo. Ele com uma bebedeira triste, cada vez que a mulher telefonava, discutia com a minha amiga até se babar todo. Ela só chorava ao tomar consciência da asneira que tinha feito. Tudo o que eu lhe tinha dito não valeu de nada, o emprego já tinha ido à vida.

As férias foram piores que a viagem! Cenas a torto e a direito, a má disposição da parte dele foi o prato do dia, a tal ponto de ele a meter fora do quarto que ela estava a pagar, porque ela não lhe comprou a piza com o queijo que ele pediu.

Ela queria vir embora, só que o traste já se tinha abotoado com o dinheiro, e ela não sabia como fazer.

Discutiram até ele a pôr fora do quarto.

Os hóspedes do hotel passavam, uns riam-se, outros ignoravam aquela cena ridícula. Ela em fio dental a gritar e a bater à porta do quarto, a besta lá dentro aos berros a mandá-la embora. Isto durou algum tempo, até que veio um empregado do hotel com um roupão de banho e a meteu noutro quarto.

O empregado, depois, foi convidar a besta a sair do hotel.

As férias, que deviam durar oito dias, duraram só três, pois o traste, além de chulo, era jogador de casino, e o dinheiro já tinha acabado.

Nessa mesma noite, com o cartão de crédito a rebentar pelas costuras, ela sem falar, ele a insultá-la sem ela saber porquê, lá fizeram a viagem de regresso.

Isto não termina aqui! Antes de irem para férias, alugaram uma casa aqui nos arredores de Coimbra, para onde ela levou as melhores coisas que tinha. Outro fiasco, pois ele meteu a mulher dele lá dentro e não lhe queria dar as coisas dela.

Aí, sim, ela tomou uma posição! Arranjou uma carrinha, pegou nos irmãos dela e lá conseguiu trazer parte das coisas que tinha levado para lá.

O baboso, que era tão forte sozinho com ela, quando viu que ela ia acompanhada, enfiou-se na casa de banho e não saiu de lá até eles se irem embora.

Era só coragem! Cólicas e gases que se ouviam pela casa toda. Mas que miséria do homem. As paixões são sempre erradas, mas esta era de facto um erro dos mais tristes que eu já vi.