quinta-feira, março 9

Os trolhas

Há dias precisei de pintar uma divisão da minha casa, e eis que uma amiga me indica dois rapazes que ela conhecia. Eram barateiros e faziam o serviço rápido.

Não eram profissionais, mas sabiam trabalhar bem. Isso não me incomodou absolutamente nada! Eu queria era o meu escritório pintado.

Eles eram meio esquisitos, mas simpáticos. Um deles andava sempre ao telemóvel, o que tinha ar de patrão do outro.

Passado um bom bocado, o que recebia as ordens diz-lhe que a tinta não ia chegar, eu respondi que não havia problema e que ia num instante buscar mais cinco litros.
Diz o que fazia de patrão: «A senhora não precisa de tirar o seu carro, eu tenho de ir ao IPO e levo-a.» Não quis ser desagradável com o moço e lá fui com ele.

Passámos pelo hospital, ele começa a acelerar, e um rapaz ainda jovem a correr atrás do carro parecia um cão.
Achei aquilo tudo muito estranho e perguntei-lhe o que se passava. Ele respondeu-me que ia levar uma dose de droga, mas que a polícia estava lá parada, por isso, ele teve de fugir.
Fiquei para morrer. Ter de andar a fugir da polícia era coisa que nunca me passaria pela cabeça. Não quis ficar de mal com eles e deixei-os acabar o trabalho.

Outra experiência que nunca mais vou esquecer aconteceu num dia em que eu fui com duas amigas para um pinhal fazer uma simpatia, ou seja, um trabalho para o amor. Era um trabalho feito com três maçãs que no fim do ritual teriam de ser enterradas.

Fomos para o tal pinhal, levámos uma pá das plantas, e cada vez que passava um carro nós parávamos e fingíamos que estávamos a conversar. Os carros começam a ser mais que muitos, e nós a ficar um pouco atrapalhadas, pois a situação em que nos encontrávamos dava a ideia de outra coisa.

Ali e naquele momento é que nós ficamos a saber o quanto os homens gostam de putas.
Nisto passa um homem camponês com um burro carregado de lenha que nos diz: «Então para mim não há cona?» Ficámos capazes de morrer. Mas a verdade é que quem não quer ser lobo não lhe veste a pele. Os bruxedos e as mandingas acabaram por ali.

Isto passou-se na estrada da Figueira, e nós fomos para um café ali em Tentúgal, sempre com a clientela atrás. Acho que a curiosidade deles também os fez perder algum tempo!, pois os homens nunca tinham visto umas putas tão requintadas nos pinhais e ainda por cima de Mercedes.

A única cabeça que eles tinham a funcionar era a de baixo, pois ninguém impede uma mulher de estar ali a fazer um negócio, como estar a comprar um pinhal, mas para eles não.
Muito gostam os homens de putas!