quarta-feira, março 1

O ladrão profissional

Tenho uma cliente bonita, simpática culta e boa pessoa acima de tudo. Mas puta todos os dias.

Teve um amigo em Lisboa que era ladrão profissional, daqueles que fazem plásticas para se disfarçar, assaltante de bancos e procurado internacionalmente.

Um dia, estão a gozar num bom hotel os frutos do trabalho dele, quando ela lhe pede para ele lhe ir à farmácia buscar comprimidos para a enxaqueca.

Ele lá foi, comprou os comprimidos e não demorou nada, mas disse-lhe que tinha de sair
novamente e que já vinha.

Ela pouco se ralou, e aí umas duas horas depois ele aparece todo contente.
Ela, naturalmente ,pergunta-lhe onde é que ele tinha ido! Ele respondeu: «Sabes, quando fui à farmácia vi uma puta de rua com um cordão de ouro e não resisti! Fui engatá-la e roubei-lho. Toma, é para ti.»

Ela ficou a olhar para ele e pensou: um homem que tinha contas na Suíça, que vivia nos melhores hotéis, não tinha necessidade nenhuma de ir roubar uma prostituta. Respondeu-lhe: «Fizeste bem.» E lá continuaram a beber champanhe francês e a comer caviar.

Outra história dela passada também há uns vinte anos.
Chegou o mês de Julho, e ela entrou de férias. Não sabia o que fazer! Telefona para um enfermeiro amigo que tinha ido trabalhar para um hospital em Lausana a lavar mortos (porque, segundo ela me contou, os suíços dão banho aos mortos). Ele ofereceu-lhe alojamento, e lá vai ela de férias.

No mesmo dia em que chega, à noite vão os dois tomar uma bebida com um árabe da Mauritânia que tinha ido à Suíça tratar das exéquias fúnebres de alguém de família e quis agradecer ao enfermeiro a ajuda que este lhe tinha prestado em todo aquele processo.

Ela viu logo ali uma oportunidade de engatar o velho. Não posso deixar de vos dizer que ela tem uma forte atracção por velhos, já andou num psicólogo, e ele disse-lhe que era natural, dada a ausência masculina na infância, pois a mãe era divorciada.

Veste um vestido de lycra em cima só da pele, sem nada por baixo, e o velho convida-a para seguir viagem com ele para a Mauritânia no outro dia.
Ela aceitou, e o enfermeiro ficou a ver navios.

Viajaram logo de manhã no avião particular dele, e deixou o outro pendurado, nem sequer conheceu aquela bonita cidade, com o lago mais lindo que eu já vi.

Ficou pela Mauritânia uns tempos, até que se fartou. O árabe era um homem muito ocupado e só a visitava no hotel à noite. De qualquer maneira, aquilo bateu forte no velho, pois ela foi à Mauritânia uma quantidade de vezes.

Hoje só vai para a cama com quem lhe possa fazer altos favores.
Pelo menos está muito mais selectiva nas suas conquistas.