terça-feira, março 7

O anjinho

Esta semana lembrei-me de fazer uma maquilhagem permanente que são os riscos nos lábios e nos olhos.

Meti-me no carro e arranco para o Porto direitinha para um instituto de beleza que me tinham recomendado. O dia estava demasiado quente, e acabo por chegar lá com uma terrível dor de cabeça.

Pedi uma toalha molhada e meti-a na testa, já deitada na marquesa, ia vendo o que se estava a passar no gabinete, pois o nariz levanta o pano e nós conseguimos ver por baixo. Enquanto fico à espera de que a anestesia faça o efeito nos lábios, entra o fornecedor dos produtos que lá se usam.

A funcionária, que é brasileira, veio recebê-lo toda simpática, como é habitual quando se trata de homem. Os apalpões e os abraços não tardaram nada, era como se eu não existisse, não me importei nada!

Estava a assistir à cena na qual só faltou montarem-se ali na minha frente, não tinha de pagar nada para assistir ao espectáculo, até gostei. Nisto telefona o português com quem ela vivia, e a conversa ainda foi mais engraçada. «Sim, meu anjinho, fez bem telefonar, meu anjinho, porque estou atrasada, me liga mais tarde, sim, meu anjinho.»

Vim do Porto a pensar em tudo isto! Cheguei à conclusão de que viver não custa, o que custa é saber viver, e não há dúvida de que estas sabem, e de que maneira, meu Deus! Estamos a anos-luz desta gente.

Não tinha nada com isso, mas nos salões de cabeleireiro e neste tipo de coisas conversa-se sempre, lá lhe fui perguntando se ela gostava do fornecedor. «Não!», respondeu-me ela prontamente, só quero que ele me ofereça os produtos! Todos os dias levo com cada lição de vida, que eu até fico espantada.

Continuando com brasileiras, em Maio fui conhecer o Rio de Janeiro e Búzios. Como ia sozinha, fui numa dessas viagens em grupo onde há motorista e guia. A guia é paga para falar, mas aquela falava pelos cotovelos, Santo Deus!

Como ficou o tempo todo connosco, acabámos por fazer amizade com ela. Estamos um dia sentadas a conversar, o prato favorito dela é falar mal de um português com quem casou e que não trabalha há dez anos, aquilo deve dar-lhe cabo dos nervos, pois sempre que pode fala dele.

Não sou cusca, mas gosto de saber os porquês das coisas, e acabo por lhe perguntar por que é que os homens gostavam tanto de brasileiras, e ela respondeu-me sem rodeios que era por causa do silicone. Começo a rir à gargalhada, pois já era a segunda brasileira a falar-me na mesma porcaria.

Fiquei a pensar no assunto... Será que os homens se passaram? Elas chamam silicone aos vibradores. Uma coisa é certa: os que passam para o outro lado já não regressam!
E é então aí que ela dá largas à imaginação a descrever-nos com todos os pormenores do que é que a maior parte dos homens gosta. Ela é uma mulher bem informada, já tinha lido tudo o que era revistas e jornais sobre as mães de Bragança.

Do que eu não estava à espera era de ouvir isto pela segunda vez!
Uma coisa é certa: nunca mais me vou questionar sobre este assunto.
E também não vou ficar admirada quando vir um homem com um andar novo.