segunda-feira, março 27

A masoquista

Esta semana foi de tal ordem, que de facto estou para aqui a ver a melhor maneira de explicar bem esta tremenda confusão.

Começo por vos contar que tenho uma amiga bem casada com um homem de posição, e que acima de tudo é boa pessoa, bom marido e bom pai.

Ela é boa pessoa, mas com um fetiche esquisito, pois só gosta de ir para a cama com trolhas.

O marido tem conhecimento desta tara, pois os resultados destes encontros são desastrosos, ou ela leva dinheiro para lhe dar, ou ele enfarda nela mesmo a sério. O amante é uma pessoa mal formada que a única coisa que quer dela é dinheiro.

Pois bem, esta semana, depois de mais um encontro com o trolha, ela aparece-me aqui com a cabeça cheia de galos e o nariz fracturado, lá lhe fui pondo um pouco de gelo em tudo o que era galo, até que ela resolve ir para casa dela mostrar ao marido, que é médico, as mazelas de que tinha sido vítima.

Quando eu pensei que já estava livre daquele choro todo e daquelas lágrimas, aparecem-me os dois, ela e o marido, claro! Com n.º de telefones de ciganos, ucranianos, etc., para me comunicarem a mim, que nada tinha que ver com esta porcaria toda, que já estavam em contacto com alguns destes elementos para encomendarem uma tareia para a namorada do trolha.

Passei-me! Que culpa tinha a outra que o namorado tivesse feito aquela porcaria? Será que o Sr. Dr. estava com medo de que o trolha não ficasse em condições de continuar a montar a mulher dele?

Mesmo sem estar a compreender nada disto, lá consegui que eles ficassem quietos, pelo menos enquanto não se desse o julgamento de uma tareia anterior que o trolha, ajudado pela namorada, tinha dado há uns meses atrás na minha amiga, pois andam com um processo judicial em curso.

Quando eu pensava que já tinha dado alguns conselhos úteis, eis que telefona uma familiar do marido, a dizer que a minha amiga andava a sujar o nome da família, que era uma vergonha, que a mulher dele era uma puta, etc.

O marido tinha posto o telemóvel em alta voz, pois fazia questão que eu ouvisse toda aquela conversa triste. Virei as costas, pois a diplomacia não é o meu forte, só regressei quando os ouvi a discutir aos dois.

A conversa ainda estava mais triste, pois ela estava a convencer o marido de que o trolha a violava cada vez que ela ia ter com ele, fazer constantemente 60 e tal km para ir ser violada é obra, pensei eu! Mas calei-me pois toda a situação era tão ridícula, que toda esta conversa não fazia nenhum sentido.

Ser mediadora de uma coisa destas, acreditem, não é nada fácil!
Fartei-me disse que tinha um compromisso e saí.

Quando chego a casa, uma meia hora depois, cá estavam eles sentados no hall dos elevadores para continuarem a discussão em minha casa.

O marido lamentando-se que não podia competir com um prostituto de 26 anos. Eu resolvi ficar muda durante parte da noite.

Acreditem que estou farta de aturar isto, que eu até penso que só me acontece a mim.

Por acaso este corno até é manso, e ela mente-lhe como quem mente a um menino, a única coisa verdadeira são as tareias que ela leva de vez em quando.
Mas se ela continua é porque gosta.