quinta-feira, março 30

A diabinha

Estava eu tranquilamente a tratar das minhas plantas quando o telefone toca.
Atendo, e era a filha de uma senhora que trabalha aqui pelo meu bairro fazendo limpezas.
Pediu-me com alguma insistência para falar comigo. Como conhecia a mãe, lá cedi, embora hoje esteja arrependida, porque se a mãe é uma pessoa boa, esta miúda com cara de anjo é um demónio muito bem disfarçado com um rosto angelical.

Segundo ela própria me contou, quando tinha cerca de dezasseis anos de idade já tinha a maldade e a manha de uma mulher adulta, má, e mal formada. Mal começou a namorar com alguém que por qualquer motivo lhe interessou, vá de dar o golpe da barriga, o que é prática corrente mas em mulheres adultas, nunca numa garota.

O rapaz, gente boa, acaba por se casar com ela, pois era filho de pais separados e tinha um certo trauma em relação a situações desse tipo.

Como também era jovem, não tinha tido sequer tempo para viver e conhecer outras mulheres, até que um certo dia, no seu emprego, conheceu uma rapariga que lhe agradou. Como a maior parte dos homens são burros, este não foi excepção e conta tudo o que se estava a passar com ele à mulher, pois já estava decidido a pedir o divórcio.


Esta, que já tinha a manha toda, fez de conta que aceitou e diz-lhe que quer conhecer a outra, pois queria saber a que tipo de mulher ia entregar o seu filho quando ele fosse passar o fim-de-semana com o pai.

Até ai tudo bem, o rapaz acreditou, e nem sequer se lembrou de que aquilo era fartura a mais.
Lá combinam o dia, e ele leva a moça que ele namorava a casa da mulher, que foi muito simpática, e oferece um chá envenenado à outra, que saiu de ambulância de casa da rival.

Claro que eu quis saber o que ela tinha posto no chá da outra, graças a Deus que foi só veneno dos ratos, pois se fosse outro tipo de veneno, como um pouco de herbicida por exemplo, a outra já estava a fazer tijolo. O que lhe valeu foi a inexperiência e os poucos conhecimentos da diabinha.

Com o jeito doce que ela teve ao dizer na minha cara que foi sem querer que envenenou a outra, daqui a uns anos vai tornar-se uma veterana.

Este episódio vai ter continuação, disso eu faço questão! Pois, mesmo sem me apetecer, vou recebê-la novamente para saber ao certo o que é que aconteceu à que tomou o chá envenenado.

O marido não sabe nada, só sabe que a namorada saiu de casa dele de ambulância a babar-se e a vomitar.

Desde sempre houve maldade, mas dá-me a ideia de que com o tempo as pessoas vão refinando muito mais cedo, começando logo que nascem.

Onde é que isto já se viu? Hoje a maioria das pessoas vive com o diabo sem se aperceber.

segunda-feira, março 27

A masoquista

Esta semana foi de tal ordem, que de facto estou para aqui a ver a melhor maneira de explicar bem esta tremenda confusão.

Começo por vos contar que tenho uma amiga bem casada com um homem de posição, e que acima de tudo é boa pessoa, bom marido e bom pai.

Ela é boa pessoa, mas com um fetiche esquisito, pois só gosta de ir para a cama com trolhas.

O marido tem conhecimento desta tara, pois os resultados destes encontros são desastrosos, ou ela leva dinheiro para lhe dar, ou ele enfarda nela mesmo a sério. O amante é uma pessoa mal formada que a única coisa que quer dela é dinheiro.

Pois bem, esta semana, depois de mais um encontro com o trolha, ela aparece-me aqui com a cabeça cheia de galos e o nariz fracturado, lá lhe fui pondo um pouco de gelo em tudo o que era galo, até que ela resolve ir para casa dela mostrar ao marido, que é médico, as mazelas de que tinha sido vítima.

Quando eu pensei que já estava livre daquele choro todo e daquelas lágrimas, aparecem-me os dois, ela e o marido, claro! Com n.º de telefones de ciganos, ucranianos, etc., para me comunicarem a mim, que nada tinha que ver com esta porcaria toda, que já estavam em contacto com alguns destes elementos para encomendarem uma tareia para a namorada do trolha.

Passei-me! Que culpa tinha a outra que o namorado tivesse feito aquela porcaria? Será que o Sr. Dr. estava com medo de que o trolha não ficasse em condições de continuar a montar a mulher dele?

Mesmo sem estar a compreender nada disto, lá consegui que eles ficassem quietos, pelo menos enquanto não se desse o julgamento de uma tareia anterior que o trolha, ajudado pela namorada, tinha dado há uns meses atrás na minha amiga, pois andam com um processo judicial em curso.

Quando eu pensava que já tinha dado alguns conselhos úteis, eis que telefona uma familiar do marido, a dizer que a minha amiga andava a sujar o nome da família, que era uma vergonha, que a mulher dele era uma puta, etc.

O marido tinha posto o telemóvel em alta voz, pois fazia questão que eu ouvisse toda aquela conversa triste. Virei as costas, pois a diplomacia não é o meu forte, só regressei quando os ouvi a discutir aos dois.

A conversa ainda estava mais triste, pois ela estava a convencer o marido de que o trolha a violava cada vez que ela ia ter com ele, fazer constantemente 60 e tal km para ir ser violada é obra, pensei eu! Mas calei-me pois toda a situação era tão ridícula, que toda esta conversa não fazia nenhum sentido.

Ser mediadora de uma coisa destas, acreditem, não é nada fácil!
Fartei-me disse que tinha um compromisso e saí.

Quando chego a casa, uma meia hora depois, cá estavam eles sentados no hall dos elevadores para continuarem a discussão em minha casa.

O marido lamentando-se que não podia competir com um prostituto de 26 anos. Eu resolvi ficar muda durante parte da noite.

Acreditem que estou farta de aturar isto, que eu até penso que só me acontece a mim.

Por acaso este corno até é manso, e ela mente-lhe como quem mente a um menino, a única coisa verdadeira são as tareias que ela leva de vez em quando.
Mas se ela continua é porque gosta.

quinta-feira, março 23

Viagem a Andorra

Conheço há alguns anos uma boa rapariga que teve a pouca sorte de se apaixonar por um traste do pior.

Homem sem moral, sem escrúpulos e, pior que tudo, sem vergonha. Esta rapariga tinha um bom emprego, ele tratou de lhe dar a volta e de lhe fazer promessas de casamento, até que ela se despediu do trabalho que tinha há anos, para fazer vida com este traste, que era chulo até à quinta casa, e que viu ali uma maneira de lhe sacar a massa que ela iria receber ao despedir-se do trabalho dela.

Foram passear com o dinheiro dela para Andorra. Aquilo não foi uma viagem, foi um inferno! Ele sempre maldisposto, e a mulher dele a telefonar o tempo todo. Ele com uma bebedeira triste, cada vez que a mulher telefonava, discutia com a minha amiga até se babar todo. Ela só chorava ao tomar consciência da asneira que tinha feito. Tudo o que eu lhe tinha dito não valeu de nada, o emprego já tinha ido à vida.

As férias foram piores que a viagem! Cenas a torto e a direito, a má disposição da parte dele foi o prato do dia, a tal ponto de ele a meter fora do quarto que ela estava a pagar, porque ela não lhe comprou a piza com o queijo que ele pediu.

Ela queria vir embora, só que o traste já se tinha abotoado com o dinheiro, e ela não sabia como fazer.

Discutiram até ele a pôr fora do quarto.

Os hóspedes do hotel passavam, uns riam-se, outros ignoravam aquela cena ridícula. Ela em fio dental a gritar e a bater à porta do quarto, a besta lá dentro aos berros a mandá-la embora. Isto durou algum tempo, até que veio um empregado do hotel com um roupão de banho e a meteu noutro quarto.

O empregado, depois, foi convidar a besta a sair do hotel.

As férias, que deviam durar oito dias, duraram só três, pois o traste, além de chulo, era jogador de casino, e o dinheiro já tinha acabado.

Nessa mesma noite, com o cartão de crédito a rebentar pelas costuras, ela sem falar, ele a insultá-la sem ela saber porquê, lá fizeram a viagem de regresso.

Isto não termina aqui! Antes de irem para férias, alugaram uma casa aqui nos arredores de Coimbra, para onde ela levou as melhores coisas que tinha. Outro fiasco, pois ele meteu a mulher dele lá dentro e não lhe queria dar as coisas dela.

Aí, sim, ela tomou uma posição! Arranjou uma carrinha, pegou nos irmãos dela e lá conseguiu trazer parte das coisas que tinha levado para lá.

O baboso, que era tão forte sozinho com ela, quando viu que ela ia acompanhada, enfiou-se na casa de banho e não saiu de lá até eles se irem embora.

Era só coragem! Cólicas e gases que se ouviam pela casa toda. Mas que miséria do homem. As paixões são sempre erradas, mas esta era de facto um erro dos mais tristes que eu já vi.

segunda-feira, março 20

A Manhosa e o Traficante

A manhosa já está novamente ao serviço. Como a estada dela na praia não se passou como ela previa, regressou e está a trabalhar a todo o gás.

O construtor a quem ela limpou a carteira antes de ir de férias e os ucranianos não têm dado sinal de vida. De qualquer maneira, ela também nunca teve grande medo deles.

Nesta semana, apareceu-lhe um cliente bem estranho. Entrou, olhou para tudo o que era sítio, ela começou a ficar um bocado inquieta e perguntou-lhe: «Ouve lá, tu vieste aqui para foder, ou para me inspeccionar a casa?»

«Tem calma», responde-lhe ele. «Estava só a ver se as tuas janelas dão para a rua!» Entraram para o quarto, ela começa pela massagem e continuou com o resto. Não sei de que maneira é que eles fizeram o serviço, só sei que a manhosa lhe viu um ânus tão grande, que diz que aquilo parecia um bueiro.

Quando já estava mais à vontade com ele, não se conteve e perguntou-lhe: «Ouve lá, tu gostas de homens?» Ele responde: «Não, porquê?» «É que nunca na minha vida vi um cu tão grande!» «Nada disso, é que eu sou correio de droga e é aí que a escondo a mercadoria.»

Ela já tinha uma explicação para aquele fenómeno. Não houve assalto à carteira, desta vez acho que ela as cortou, ele deu-lhe uma boa gorjeta e prometeu visitá-la mais vezes.

Ela nesta semana vinha animada, foi a um baile a Albergaria e arranjou logo um par, dançou a tarde toda com um bailarino profissional que dança numa casa de alterne para os lados da Nazaré, ele ofereceu-lhe logo emprego, e ela só se ri. E brincando com a situação pergunta:

«Quando chegará o dia em que algum homem me sustente à boa vida? É que a primeira coisa que fazem é querer pôr-me a trabalhar para eles! E a coisa de que eu mais gosto é de ir ao banco pôr o dinheiro que me sobra no fim do mês, isso é que era bom, arranjar agora um chulo!»

Perguntei-lhe se ela já tinha resolvido o problema do cliente que quer um homem. «Não, o tal rapaz para quem eu comprei o Viagra ainda não se decidiu se vai ou não ao cu ao outro.»

Penso que este negócio está para render muito dinheiro, pois ela não desiste desta ideia, e nunca a vi tão preocupada com nada, agora até eu ando à espera do que é que isto vai dar.

O rapaz quer esse dinheiro para ir de férias, mas que está com alguma dificuldade em tomar esta decisão, lá isso está! Só que a manhosa não quer saber disso para nada, aliás nem sequer compreende a indecisão dele.

Mas esta de ele ter de ir ao cu ao velho... Cá para mim, ela vai ter de esperar sentada. Vamos esperar e ver o que é que isto dá.

Uma vez, ouvi um amigo do Porto dizer que cu não tem sexo, mas para este rapaz tem, disso não tenho dúvidas.

sexta-feira, março 17

As duas brasileiras

Lembram-se do episódio do parvo? Sim, aquele que roubou a mulher e até se roubou a ele próprio para dar às duas brasileiras? Pois é, a vida tem destas coisas, e eu cada vez acredito mais que o inferno é aqui mesmo no planeta Terra.

Pois, como vos contei nesse episódio, as duas brasileiras já andavam a começar a vender o que não era delas, mas que legalmente até era, e como o que conta são as provas, isso elas tinham tudo muito bem organizado com o preto no branco, pois o parvo fez questão disso.

Resultado da minha última pesquisa (pois ele nunca mais cá pôs os pés, o que é natural, depois de tudo o que eu lhe disse): Elas não foram para o Brasil como estava previsto, ficaram por cá mesmo, pois os portugueses são mais fáceis de enganar.

Ausentaram-se uns meses enquanto um bom advogado lhes tratou das burocracias, e aproveitaram para ir ao Brasil mudar um pouco o visual. O tal ucraniano ficou com a que era patroa. A mais jovem ficou mesmo com o velho com quem tinha casado no lar para se legalizar.

Compraram um apartamento para cada uma, levaram o tio com elas e, justiça lhes seja feita, parece que tratam muito bem dele. De qualquer maneira, o velho interessa-lhes mais vivo do que morto.

Abriram um ginásio onde se faz de tudo, mandaram vir do Brasil alguns colaboradores, e o negócio vai de vento em popa, agora numa cidade grande.

Quanto ao ótario que ficou sem nada, esse teve um amigo que lhe deitou a mão e está em França a trabalhar na construção civil, embebeda-se todas as noites, talvez para esquecer o passado recente, e continua a frequentar bares nocturnos, pois já está muito habituado a putas.

Quanto à mulher dele, comprou uma carrinha ajudada pelos irmãos, anda em tudo o que é feira a vender enchidos e queijos, as coisas aparentam estar a correr-lhe bem, está de namoro com um homem viúvo lá da terra, e parece que por fim é feliz.

O marido já quis regressar, mas nem ela nem a família, que a ajudou, estão de acordo. Esta mulher sofreu quanto baste com ele e com as putas que os puseram aos dois na miséria.

Eu nem as acho tão culpadas assim, ele é que devia ter tido juízo, elas vieram para Portugal para tratar da vida delas, e não da dele.

Ele meteu este caso em tribunal, mas as hipóteses não são nenhumas, quem manda é o dinheiro, e isso é coisa que ele já não tem.

quarta-feira, março 15

O falso religioso

Havia aqui em Coimbra um casal que à primeira vista parecia exemplar. Mas como nem tudo o que parece é...

E como a maior parte dos homens, este também era uma fraude.

As mentiras que eles dizem dependem muito do tipo de mulher que eles têm em casa. Esta mentira só podia mesmo ser feita àquela mulher, pois com outra isto teria de ser muito bem esclarecido.

Onde é que já se viu alguém ir rezar depois de um dia de rezas?

A senhora era católica, e ele fingia que também era. Num domingo qualquer em que a mulher resolve ir a Fátima, metem-se no carro, vão, e levam os filhos. Por lá andaram fazendo as preces deles, até que resolvem regressar.

Quando chegam a casa, o homem come qualquer coisa à pressa e diz à mulher que vai rezar mais um pouco para a igreja da Senhora de Lurdes.

A mulher engoliu aquilo. Ele pega no carro e lá vai rezar mais um bom bocado, e de que maneira!
Acontece que um dos filhos sofria de epilepsia, e quando a mulher, que infelizmente já conhecia os sintomas da doença, se dá conta de que está para lhe dar um ataque, lembra-se de que tinha deixado toda a medicação no carro. Começa a telefonar, e o telemóvel desligado. Chama um cunhado que morava ao lado e pede-lhe para ele a levar à tal igreja de Montes Claros para ir buscar o saco com a medicação.
Adivinhem onde é que o cunhado vai parar: a casa da Aurora. A famosa casa de meninas de que já vos falei nos episódios anteriores.

Só aí é que a mulher viu que aquilo não estava a bater certo com a conversa do marido. Entretanto, o cunhado também não a deixou sair do carro. Então ela resolve ir tirar aquilo a limpo. Sai do carro e pergunta a uns vizinhos que casa era aquela. Os vizinhos, fartos de ver por ali mulheres em desespero, contaram logo do que se tratava naquela casa.

Quando o cunhado chega com as chaves, ela já estava preparada para tudo. Obrigou-o a ir buscar o marido, e foi ali um escândalo de que nem há memória.

Hoje estão separados, e ele deixou-se de rezas falsas. É um homem que quase só é visto de noite, anda por aí por tudo o que é bares nocturnos ou discotecas. Entregue ao álcool e sem brio com ele próprio.

A mulher, com a ajuda dos pais, ficou com o negócio que tinham, já abriu outro do mesmo ramo, e felizmente a vida tem-lhe corrido bem.
Está a viver com um empregado antigo na casa e é feliz.

Diz o ditado popular que a mentira tem perna curta. Mas esta ainda durou uns bons anos.

segunda-feira, março 13

O Carnaval dos galdérios

Os meus amigos desta vez tentaram ser mais discretos e festejaram o Carnaval na quarta-feira de Cinzas. Até aí tudo bem.

Arranjaram um armazém ali perto de Febres, e lá fizeram os preparativos.
Leitão, chanfana, vinho com fartura e até uns semifrios. A coisa foi bem pensada, as ucranianas foram as mesmas, pois já começam a estar habituadas a este regabofe dos srs. doutores.

Desta vez comeram e beberam até lhe chegar com o dedo.
Quando começa novamente a música, já com elas em cima da mesa, já nenhum estava em condições de coisíssima nenhuma, pois o espumante tinto já estava a fazer o seu efeito e eles a prepararem-se para comer a sobremesa, só que as ucranianas tinham combinado o preço, que eram os sessenta euros para dançar, e tudo o que fosse a partir dali era para pagar.

Como todos já estavam bêbados entenderam que não, e aí a coisa começa a aquecer.

Houve um deles que concordou com elas. Resultado: os outros caíram-lhe em cima, porrada até de manhã, e como as ucranianas quiseram receber adiantado, nunca mais ninguém as viu.

Quando será que estes homens terão um comportamento normal?
Acho que não haverá festas tão cedo, até porque metade anda de mal com a outra metade.

Já depois de as ucranianas terem saído, eles queriam saber como é que iriam resolver o problema sexual deles.
Do que é que eles se haviam de lembrar? Com uma bebedeira de todo o tamanho, acharam que o que as deixou fugir devia descer as calças para os outros lhe irem ao cu.

Meu Deus, se dois ou três não estivessem mais lúcidos e não pusessem fim àquela triste ideia, havia de ser o lindo e o bonito.

A mim foi-me contado assim! Mas, da maneira que as coisas andam, não sei mesmo se não teriam resolvido o problema entre eles.

Com um milhão de homossexuais, outro milhão que são os amantes destes não assumidos, depois ainda os bissexuais, bem, o que se terá passado mesmo ao certo nunca saberei, pois o meu amigo não me deve ter contado mesmo tudo.

A verdade é que os homens, quando organizam estas festas – ou patuscadas, como lhe chamam – ou contratam prostitutas ao vão só eles.
Muito gostam eles de brincar uns com os outros.Acho mesmo que as mulheres portuguesas têm de começar a emigrar para a Austrália.

quinta-feira, março 9

Os trolhas

Há dias precisei de pintar uma divisão da minha casa, e eis que uma amiga me indica dois rapazes que ela conhecia. Eram barateiros e faziam o serviço rápido.

Não eram profissionais, mas sabiam trabalhar bem. Isso não me incomodou absolutamente nada! Eu queria era o meu escritório pintado.

Eles eram meio esquisitos, mas simpáticos. Um deles andava sempre ao telemóvel, o que tinha ar de patrão do outro.

Passado um bom bocado, o que recebia as ordens diz-lhe que a tinta não ia chegar, eu respondi que não havia problema e que ia num instante buscar mais cinco litros.
Diz o que fazia de patrão: «A senhora não precisa de tirar o seu carro, eu tenho de ir ao IPO e levo-a.» Não quis ser desagradável com o moço e lá fui com ele.

Passámos pelo hospital, ele começa a acelerar, e um rapaz ainda jovem a correr atrás do carro parecia um cão.
Achei aquilo tudo muito estranho e perguntei-lhe o que se passava. Ele respondeu-me que ia levar uma dose de droga, mas que a polícia estava lá parada, por isso, ele teve de fugir.
Fiquei para morrer. Ter de andar a fugir da polícia era coisa que nunca me passaria pela cabeça. Não quis ficar de mal com eles e deixei-os acabar o trabalho.

Outra experiência que nunca mais vou esquecer aconteceu num dia em que eu fui com duas amigas para um pinhal fazer uma simpatia, ou seja, um trabalho para o amor. Era um trabalho feito com três maçãs que no fim do ritual teriam de ser enterradas.

Fomos para o tal pinhal, levámos uma pá das plantas, e cada vez que passava um carro nós parávamos e fingíamos que estávamos a conversar. Os carros começam a ser mais que muitos, e nós a ficar um pouco atrapalhadas, pois a situação em que nos encontrávamos dava a ideia de outra coisa.

Ali e naquele momento é que nós ficamos a saber o quanto os homens gostam de putas.
Nisto passa um homem camponês com um burro carregado de lenha que nos diz: «Então para mim não há cona?» Ficámos capazes de morrer. Mas a verdade é que quem não quer ser lobo não lhe veste a pele. Os bruxedos e as mandingas acabaram por ali.

Isto passou-se na estrada da Figueira, e nós fomos para um café ali em Tentúgal, sempre com a clientela atrás. Acho que a curiosidade deles também os fez perder algum tempo!, pois os homens nunca tinham visto umas putas tão requintadas nos pinhais e ainda por cima de Mercedes.

A única cabeça que eles tinham a funcionar era a de baixo, pois ninguém impede uma mulher de estar ali a fazer um negócio, como estar a comprar um pinhal, mas para eles não.
Muito gostam os homens de putas!

terça-feira, março 7

O anjinho

Esta semana lembrei-me de fazer uma maquilhagem permanente que são os riscos nos lábios e nos olhos.

Meti-me no carro e arranco para o Porto direitinha para um instituto de beleza que me tinham recomendado. O dia estava demasiado quente, e acabo por chegar lá com uma terrível dor de cabeça.

Pedi uma toalha molhada e meti-a na testa, já deitada na marquesa, ia vendo o que se estava a passar no gabinete, pois o nariz levanta o pano e nós conseguimos ver por baixo. Enquanto fico à espera de que a anestesia faça o efeito nos lábios, entra o fornecedor dos produtos que lá se usam.

A funcionária, que é brasileira, veio recebê-lo toda simpática, como é habitual quando se trata de homem. Os apalpões e os abraços não tardaram nada, era como se eu não existisse, não me importei nada!

Estava a assistir à cena na qual só faltou montarem-se ali na minha frente, não tinha de pagar nada para assistir ao espectáculo, até gostei. Nisto telefona o português com quem ela vivia, e a conversa ainda foi mais engraçada. «Sim, meu anjinho, fez bem telefonar, meu anjinho, porque estou atrasada, me liga mais tarde, sim, meu anjinho.»

Vim do Porto a pensar em tudo isto! Cheguei à conclusão de que viver não custa, o que custa é saber viver, e não há dúvida de que estas sabem, e de que maneira, meu Deus! Estamos a anos-luz desta gente.

Não tinha nada com isso, mas nos salões de cabeleireiro e neste tipo de coisas conversa-se sempre, lá lhe fui perguntando se ela gostava do fornecedor. «Não!», respondeu-me ela prontamente, só quero que ele me ofereça os produtos! Todos os dias levo com cada lição de vida, que eu até fico espantada.

Continuando com brasileiras, em Maio fui conhecer o Rio de Janeiro e Búzios. Como ia sozinha, fui numa dessas viagens em grupo onde há motorista e guia. A guia é paga para falar, mas aquela falava pelos cotovelos, Santo Deus!

Como ficou o tempo todo connosco, acabámos por fazer amizade com ela. Estamos um dia sentadas a conversar, o prato favorito dela é falar mal de um português com quem casou e que não trabalha há dez anos, aquilo deve dar-lhe cabo dos nervos, pois sempre que pode fala dele.

Não sou cusca, mas gosto de saber os porquês das coisas, e acabo por lhe perguntar por que é que os homens gostavam tanto de brasileiras, e ela respondeu-me sem rodeios que era por causa do silicone. Começo a rir à gargalhada, pois já era a segunda brasileira a falar-me na mesma porcaria.

Fiquei a pensar no assunto... Será que os homens se passaram? Elas chamam silicone aos vibradores. Uma coisa é certa: os que passam para o outro lado já não regressam!
E é então aí que ela dá largas à imaginação a descrever-nos com todos os pormenores do que é que a maior parte dos homens gosta. Ela é uma mulher bem informada, já tinha lido tudo o que era revistas e jornais sobre as mães de Bragança.

Do que eu não estava à espera era de ouvir isto pela segunda vez!
Uma coisa é certa: nunca mais me vou questionar sobre este assunto.
E também não vou ficar admirada quando vir um homem com um andar novo.

segunda-feira, março 6

A Carta

Esta cena que se passou cá em casa seria igual a tantas outras se não tivesse tomado as proporções que tomou.

Há dias apareceu-me aqui, com ar de quem não quer nada, uma cliente de longa data.

Achei a visita estranha e fiquei à espera do que isto iria dar! Não tardou muito tempo até ela me pedir se eu lhe escrevia uma carta para ela própria a dizer coisas sobre o marido.

Eu recusei de imediato e continuei o que estava a fazer, não liguei importância ao pedido nem à pessoa, já estou tão habituada a pedidos estranhos, desde quererem matar os maridos com bruxarias, que não ligo nada a estes disparates. Além disso, sou nativa de Capricórnio e não tenho jeito nenhum para a diplomacia, ignorei e virei costas.

Ela fica de conversa com a minha empregada e lá a convenceu a escrever a tal carta, para ela própria. Na carta, dizia que o marido tinha amantes, que ele era este e que era aquele, enfim.

Aquilo era um nunca mais acabar de difamações e de acusações sem sentido. Eu fiquei a pensar que aquela mulher que não tinha nada para fazer estava a arranjar lenha para se queimar.

Dito e feito. Quando o homem tem conhecimento por ela da carta e leu aquilo, passou-se! E viu de imediato de onde vinha aquela triste ideia. Ele, um empresário que começa do nada e hoje tem um nome grande nesta cidade, pode ser tudo menos burro.

A vida desta mulher, que até era boa, passou a ser um inferno, pois se ele tinha algum respeito por ela, danou-se e deixou de ter.

Agora, sim, ela tem motivos. Pois este homem, que até era pacato, passou dos oito aos oitenta e agora frequenta tudo o que é casas de diversão. Bem feito! Ela, que não tinha nada com que se inquietar, agora já tem.

Mulher que não trabalha não sei porquê, nunca lhe dá para nada de bom. Ou saem uns bons pares de cornos ou outra maldade qualquer.

A esta deu-lhe para a escrita, e que escrita, meu Deus! Arranjou sarna para se coçar, pois homem que se vicia em mulheres da rua nunca mais acha graça a outro tipo de mulher.

Nunca saberei por que é que ela fez isto. Mas a vida tranquila que ela tinha acabou, o marido tornou-se um vadio de marca maior. Noitadas e putas são o pão-nosso de cada dia, à mulher não liga nenhuma.

Mas, cá para nós, ela fez por merecer.

Tinha uma vida tranquila, um marido amigo, o que é que ela quereria mais?

Um valente par de cornos? Agora devia estar feliz, já tem!

Quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga. E esta está a pagar e de que maneira!

sexta-feira, março 3

A manhosa em apuros

A manhosa aparece-me hoje talvez mais preocupada e apreensiva que o costume, pois na porta da casa dela começaram a aparecer umas coisas estranhas, tais como uma faca e algumas pétalas de rosa.

Veio então perguntar-me se aquilo seria algum bruxedo.

Como vivi algum tempo nos Estados Unidos, aquilo deixou-me preocupada. E disse-lhe: «Olha, vê se tens cuidado, pois a mim isso parece-me um dos códigos da máfia quando se estão a preparar para dar cabo de alguém. Isto é, portanto, um aviso. No entanto, também pode ser uma brincadeira de mau gosto, pois que eu tenha conhecimento aqui em Portugal ainda não temos nada disso!»

Não sei mesmo se temos ou não, pois hoje temos de tudo, pensei eu, mas não lhe disse. E tentei tranquilizá-la. Gosto dela, mesmo não concordando com as coisas que ela faz.

Ela olhou para mim atentamente, mas não deve ter feito grande caso, porque enquanto fui tirar dois cafés e regresso já a encontrei a ameaçar um cliente que tinha ido para a cama com ela e tinha ido contar para um café o que lá se tinha passado. Não gostou, claro!, também tem a sua dignidade.

Como ela agora grava todas as conversas de cama, onde a maior parte dos homens contam tudo, acaba por ficar sempre por cima. Pois este contou-lhe que andava a roubar um sócio.

Resultado: hoje é sexta-feira, e ela quer uma mobília de sala e outra de quarto até segunda-feira na casa dela. Ou então o sócio do porco fica a saber de tudo.

Quando saiu daqui, foi para uma loja de móveis caros. Não sei se vai resultar, mas que ela está convencida de que sim, lá isso está!

A casa dela parece que está um caos, pois o filho com apenas quinze anos meteu-se na droga e, numa noite destas, ela não o deixou sair, ele pegou num ferro e partiu-lhe a mobília toda. Daí esta exigência dela em querer a casa com móveis novos.

Não sei é a que propósito estes homens vão contar a vida familiar e ainda a comercial a estas mulheres, que a maioria das vezes nem os estão a ouvir, pois o que elas mais querem é que eles se despachem. Nunca irei perceber isto, será que eles não podem falar com as mulheres deles? Mas... enfim.

A manhosa é diferente, pois está sempre à espera de que eles metam a pata na poça para os lixar quando menos esperarem. E, à boa maneira dela, lá vai tirando partido da situação. Os riscos que isso lhe pode trazer, ela ainda não os contabilizou. Só espero que não tenha alguma surpresa desagradável, pois até aqui são eles que apanham com cada uma, que até caem de cu.

«Deus deu ao homem um cérebro e um pénis, mas infelizmente não lhe deu sangue suficiente para os dois trabalharem ao mesmo tempo.»
Robbin Williams

quarta-feira, março 1

O ladrão profissional

Tenho uma cliente bonita, simpática culta e boa pessoa acima de tudo. Mas puta todos os dias.

Teve um amigo em Lisboa que era ladrão profissional, daqueles que fazem plásticas para se disfarçar, assaltante de bancos e procurado internacionalmente.

Um dia, estão a gozar num bom hotel os frutos do trabalho dele, quando ela lhe pede para ele lhe ir à farmácia buscar comprimidos para a enxaqueca.

Ele lá foi, comprou os comprimidos e não demorou nada, mas disse-lhe que tinha de sair
novamente e que já vinha.

Ela pouco se ralou, e aí umas duas horas depois ele aparece todo contente.
Ela, naturalmente ,pergunta-lhe onde é que ele tinha ido! Ele respondeu: «Sabes, quando fui à farmácia vi uma puta de rua com um cordão de ouro e não resisti! Fui engatá-la e roubei-lho. Toma, é para ti.»

Ela ficou a olhar para ele e pensou: um homem que tinha contas na Suíça, que vivia nos melhores hotéis, não tinha necessidade nenhuma de ir roubar uma prostituta. Respondeu-lhe: «Fizeste bem.» E lá continuaram a beber champanhe francês e a comer caviar.

Outra história dela passada também há uns vinte anos.
Chegou o mês de Julho, e ela entrou de férias. Não sabia o que fazer! Telefona para um enfermeiro amigo que tinha ido trabalhar para um hospital em Lausana a lavar mortos (porque, segundo ela me contou, os suíços dão banho aos mortos). Ele ofereceu-lhe alojamento, e lá vai ela de férias.

No mesmo dia em que chega, à noite vão os dois tomar uma bebida com um árabe da Mauritânia que tinha ido à Suíça tratar das exéquias fúnebres de alguém de família e quis agradecer ao enfermeiro a ajuda que este lhe tinha prestado em todo aquele processo.

Ela viu logo ali uma oportunidade de engatar o velho. Não posso deixar de vos dizer que ela tem uma forte atracção por velhos, já andou num psicólogo, e ele disse-lhe que era natural, dada a ausência masculina na infância, pois a mãe era divorciada.

Veste um vestido de lycra em cima só da pele, sem nada por baixo, e o velho convida-a para seguir viagem com ele para a Mauritânia no outro dia.
Ela aceitou, e o enfermeiro ficou a ver navios.

Viajaram logo de manhã no avião particular dele, e deixou o outro pendurado, nem sequer conheceu aquela bonita cidade, com o lago mais lindo que eu já vi.

Ficou pela Mauritânia uns tempos, até que se fartou. O árabe era um homem muito ocupado e só a visitava no hotel à noite. De qualquer maneira, aquilo bateu forte no velho, pois ela foi à Mauritânia uma quantidade de vezes.

Hoje só vai para a cama com quem lhe possa fazer altos favores.
Pelo menos está muito mais selectiva nas suas conquistas.