As marmitas
Um dia, duas grandes amigas resolvem passar um fim-de-semana juntas. Como uma delas era proprietária de um restaurante na Ribeira, no Porto, e as duas eram casadas, o encontro incluía os respectivos maridos.
Só que a distância a que viviam era de cerca de cento e vinte quilómetros. A que vivia longe faz o seu saco de viagem com os fatos que melhor tinha, incluindo os fatos de gala, porque a do Porto lhe tinha falado por telefone que à noite iriam ao Casino de Espinho assistir ao espectáculo de variedades.
O marido da que vivia na Figueira da Foz era um homem vadio e mau-carácter.
O do Porto, jogador de casino.
Estas duas amigas estavam de facto bem servidas com tais encomendas como maridos.
Quando chegou a noite, os dois já estavam bem bebidos, e a discussão começa entre os donos do restaurante, e os convidados a assistir.
Como ele já estava bêbado, acaba por lhe dizer que ela não prestava nem para foder. Então ela responde-lhe que lhe fosse buscar um homem com tesão e bom de cama, que até lhe dava umas lições. A confusão estava instalada!
Elas eram amigas, mas os maridos não tinham grande confiança um com o outro. E gerou-se ali tal ambiente, que os convidados que tinham ido para passar o fim-de-semana ficaram sem saber o que fazer.
Como o do Porto acabou por bater com a porta e sair, o outro teve o pretexto de sair para ir à procura do amigo.
As duas ficaram sem carro mas altamente vestidas! Portanto, nem uma nem outra estavam a fim de ficar em casa à espera de dois vadios.
Resolveram então ir para uma boa casa de fados que havia na Sé.
Como a do Porto era frequentadora dessas casas, além de cantar lindamente fado, encontrou logo um guitarrista conhecido.
Cantou uma série de fados, e nem uma nem outra pensaram mais nos dois vadios.
Quando aquilo acabou, cerca das quatro da manhã, as duas seguiram para casa do guitarrista, pois a fadista disse à amiga que ainda ia buscar umas cassetes para aprender uns novos fados.
Lá foram de táxi os três para os lados da Areosa. A que tinha feito a viagem, assim que viu um sofá, encostou-se, pois não estava habituada a noitadas, e adormeceu rapidamente, ficando desconfiada de que algo mais se tinha passado entre os dois, porque a fadista só às seis da manhã acordou a amiga para voltarem para casa.
Táxi, nunca ninguém atendeu. Foram os três para a rua, mas também não passou nenhum. Nisto, avistaram um autocarro que as deixou na Batalha.
Aquilo foi lindo de ver, os operários a olhar para as duas vagabundas de vestidos de noite, já despenteadas, já amarrotadas e envergonhadas com tal situação. Os operários, com as suas marmitas nos joelhos, a olhar para elas desconfiados, talvez pensando que aquilo eram putas excêntricas! Ninguém se levantou para lhes oferecer o lugar, e elas agarradas aos varões do corredor. O motorista, esse era do pior, pois de cada vez que era preciso parar, ele fazia questão que aquilo fosse a fundo para ver se elas se estendiam ao comprido.
Apanharam por fim um táxi quando chegaram à Batalha, e lá chegaram a casa, onde dos maridos nem sinal.
Será que nem sequer passa pela cabeça dos homens que, enquanto eles estão com outras, podem estar a levar com um valente par de cornos?
Estes dois casamentos acabaram, mas a amizade das duas amigas continuou.
Só que a distância a que viviam era de cerca de cento e vinte quilómetros. A que vivia longe faz o seu saco de viagem com os fatos que melhor tinha, incluindo os fatos de gala, porque a do Porto lhe tinha falado por telefone que à noite iriam ao Casino de Espinho assistir ao espectáculo de variedades.
O marido da que vivia na Figueira da Foz era um homem vadio e mau-carácter.
O do Porto, jogador de casino.
Estas duas amigas estavam de facto bem servidas com tais encomendas como maridos.
Quando chegou a noite, os dois já estavam bem bebidos, e a discussão começa entre os donos do restaurante, e os convidados a assistir.
Como ele já estava bêbado, acaba por lhe dizer que ela não prestava nem para foder. Então ela responde-lhe que lhe fosse buscar um homem com tesão e bom de cama, que até lhe dava umas lições. A confusão estava instalada!
Elas eram amigas, mas os maridos não tinham grande confiança um com o outro. E gerou-se ali tal ambiente, que os convidados que tinham ido para passar o fim-de-semana ficaram sem saber o que fazer.
Como o do Porto acabou por bater com a porta e sair, o outro teve o pretexto de sair para ir à procura do amigo.
As duas ficaram sem carro mas altamente vestidas! Portanto, nem uma nem outra estavam a fim de ficar em casa à espera de dois vadios.
Resolveram então ir para uma boa casa de fados que havia na Sé.
Como a do Porto era frequentadora dessas casas, além de cantar lindamente fado, encontrou logo um guitarrista conhecido.
Cantou uma série de fados, e nem uma nem outra pensaram mais nos dois vadios.
Quando aquilo acabou, cerca das quatro da manhã, as duas seguiram para casa do guitarrista, pois a fadista disse à amiga que ainda ia buscar umas cassetes para aprender uns novos fados.
Lá foram de táxi os três para os lados da Areosa. A que tinha feito a viagem, assim que viu um sofá, encostou-se, pois não estava habituada a noitadas, e adormeceu rapidamente, ficando desconfiada de que algo mais se tinha passado entre os dois, porque a fadista só às seis da manhã acordou a amiga para voltarem para casa.
Táxi, nunca ninguém atendeu. Foram os três para a rua, mas também não passou nenhum. Nisto, avistaram um autocarro que as deixou na Batalha.
Aquilo foi lindo de ver, os operários a olhar para as duas vagabundas de vestidos de noite, já despenteadas, já amarrotadas e envergonhadas com tal situação. Os operários, com as suas marmitas nos joelhos, a olhar para elas desconfiados, talvez pensando que aquilo eram putas excêntricas! Ninguém se levantou para lhes oferecer o lugar, e elas agarradas aos varões do corredor. O motorista, esse era do pior, pois de cada vez que era preciso parar, ele fazia questão que aquilo fosse a fundo para ver se elas se estendiam ao comprido.
Apanharam por fim um táxi quando chegaram à Batalha, e lá chegaram a casa, onde dos maridos nem sinal.
Será que nem sequer passa pela cabeça dos homens que, enquanto eles estão com outras, podem estar a levar com um valente par de cornos?
Estes dois casamentos acabaram, mas a amizade das duas amigas continuou.

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