sexta-feira, fevereiro 24

A manhosa e o rapaz

Por fim a coisa deu-se! O tal rapaz de Penacova lá se resolveu, e foi comer o velho.

Isto só aconteceu porque partiu a mota dele toda, e não tinha dinheiro para o conserto.

Aquilo que lá se passou foi das coisas mais insólitas que alguma vez se viu.

Primeiro entrou o rapaz para se esconder e ver entrar o velho, devia querer ver se simpatizava com ele.

Entretanto, a manhosa já lhe tinha dado um Viagra para o rapaz se ir entesuando, como ela diz.

O moço, quando viu o homem, queria ir embora, mas a manhosa tirou a chave da porta. O rapaz queria mandar-se pela varanda abaixo, e o velho, que pelos vistos é um senhor, muito triste a assistir a esta confusão toda. A manhosa diz que ele estava muito calado a ver tudo sem dizer palavra.

Por fim, a manhosa põe uma música e começa a despir-se toda ao mesmo tempo que ia dançando para eles. Entretanto, o rapaz, que já tinha tomado o comprimido, começa a ficar desassossegado com o Viagra, mas por outro lado mais calmo a ver a dança do ventre com que ela os presenteou.

Resultado: muito a custo da parte do rapaz, lá foram os três para a cama, ficando a manhosa no meio. Depois de muito hesitar, mas mais à vontade, o rapaz primeiro pôs-se em cima dela, depois em cima do velho.

A cena, segundo conta a manhosa, foi um espectáculo, pois o rapaz teve de estar o tempo todo a olhar para ela, que estava de pernas abertas, e como Deus a pôs ao mundo, e diz que ele só conseguiu graças a esse estímulo visual.

O velho gania de gozo, a cadela dela gania também em coro, pois devia estar a achar a situação estranha.

Bem, se eu mais alguma vez ouvir dizer que a vida de prostituta é fácil, acho que me vou rir à gargalhada. Creio que não há vidas fáceis, mas esta é sem dúvida terrível.

O velho porco quer repetir, mas a manhosa nem quer ouvir falar no assunto.

Deu-lhe o telefone do rapaz, e eles que se entendam os dois, pois aquilo foi desgastante para ela.

Para ela dizer que aquilo foi um desassossego completo, faço ideia do que não se deve ter passado naquela cama!

quarta-feira, fevereiro 22

As marmitas

Um dia, duas grandes amigas resolvem passar um fim-de-semana juntas. Como uma delas era proprietária de um restaurante na Ribeira, no Porto, e as duas eram casadas, o encontro incluía os respectivos maridos.

Só que a distância a que viviam era de cerca de cento e vinte quilómetros. A que vivia longe faz o seu saco de viagem com os fatos que melhor tinha, incluindo os fatos de gala, porque a do Porto lhe tinha falado por telefone que à noite iriam ao Casino de Espinho assistir ao espectáculo de variedades.

O marido da que vivia na Figueira da Foz era um homem vadio e mau-carácter.
O do Porto, jogador de casino.

Estas duas amigas estavam de facto bem servidas com tais encomendas como maridos.
Quando chegou a noite, os dois já estavam bem bebidos, e a discussão começa entre os donos do restaurante, e os convidados a assistir.

Como ele já estava bêbado, acaba por lhe dizer que ela não prestava nem para foder. Então ela responde-lhe que lhe fosse buscar um homem com tesão e bom de cama, que até lhe dava umas lições. A confusão estava instalada!

Elas eram amigas, mas os maridos não tinham grande confiança um com o outro. E gerou-se ali tal ambiente, que os convidados que tinham ido para passar o fim-de-semana ficaram sem saber o que fazer.

Como o do Porto acabou por bater com a porta e sair, o outro teve o pretexto de sair para ir à procura do amigo.

As duas ficaram sem carro mas altamente vestidas! Portanto, nem uma nem outra estavam a fim de ficar em casa à espera de dois vadios.
Resolveram então ir para uma boa casa de fados que havia na Sé.

Como a do Porto era frequentadora dessas casas, além de cantar lindamente fado, encontrou logo um guitarrista conhecido.
Cantou uma série de fados, e nem uma nem outra pensaram mais nos dois vadios.

Quando aquilo acabou, cerca das quatro da manhã, as duas seguiram para casa do guitarrista, pois a fadista disse à amiga que ainda ia buscar umas cassetes para aprender uns novos fados.

Lá foram de táxi os três para os lados da Areosa. A que tinha feito a viagem, assim que viu um sofá, encostou-se, pois não estava habituada a noitadas, e adormeceu rapidamente, ficando desconfiada de que algo mais se tinha passado entre os dois, porque a fadista só às seis da manhã acordou a amiga para voltarem para casa.

Táxi, nunca ninguém atendeu. Foram os três para a rua, mas também não passou nenhum. Nisto, avistaram um autocarro que as deixou na Batalha.

Aquilo foi lindo de ver, os operários a olhar para as duas vagabundas de vestidos de noite, já despenteadas, já amarrotadas e envergonhadas com tal situação. Os operários, com as suas marmitas nos joelhos, a olhar para elas desconfiados, talvez pensando que aquilo eram putas excêntricas! Ninguém se levantou para lhes oferecer o lugar, e elas agarradas aos varões do corredor. O motorista, esse era do pior, pois de cada vez que era preciso parar, ele fazia questão que aquilo fosse a fundo para ver se elas se estendiam ao comprido.

Apanharam por fim um táxi quando chegaram à Batalha, e lá chegaram a casa, onde dos maridos nem sinal.

Será que nem sequer passa pela cabeça dos homens que, enquanto eles estão com outras, podem estar a levar com um valente par de cornos?

Estes dois casamentos acabaram, mas a amizade das duas amigas continuou.

segunda-feira, fevereiro 20

A manhosa nos esquemas

A manhosa hoje ligou cedo, fiquei à espera de qual seria a história que ela teria para me contar.

Aí ela começa com uma conversa que eu ouvi mesmo não achando jeito nenhum àquilo.
Está farta da vida que leva, e quer mudar tudo! Respondi-lhe: «Acho bem, isso de seres massagista deve ser saturante.»

«Não é isso! É que os cabrões vão todos de férias com as mulheres, e eu é que os aturo todo o ano!» Até parece que eles não pagam. Como a conheço bem, perguntei-lhe: «Mas afinal o que é que pretendes dizer-me com essa conversa toda?»

«Pronto, é que o meu amigo, aquele que fez de modelo para a Besunta, é que me está a pagar a renda da casa, e eu hoje comecei a fazer chantagem com ele! Porque ele está para ir de férias com a mulher, e descontou-me 100 euros no dinheiro que me veio trazer para a renda, e ainda por cima meteu-me o dinheiro por debaixo da porta como se eu fosse uma qualquer! Agora já fiz dois telefonemas para a mulher dele, para ele vir falar comigo com urgência.»

Estava eu ao telefone com ela, e nisto toca o telefone dos engates, era o modelo; ela fez questão que eu ouvisse a conversa toda.

Aquilo que ouvi deixou-me perplexa, começou assim: «Tu nem te atrevas a incomodar-me, estou cheia de ciúmes, fizeste com que me apaixonasse por ti, e agora nem me vieste dar um beijinho de despedida. Portanto, era tudo mentira da tua parte, estou para ir contar tudo à tua mulher se tu não vieres trazer 3000 euros, pois estou cheia de problemas para resolver, e tu tens de me ajudar.»

O modelo, que é cheio de dinheiro mas, como todos os ricos, é avarento, deve ter ficado sem fala! E ela insistia: «Não dizes nada? Vou já para tua casa, pois tenho sete fotografias tuas no telemóvel. Umas nu, outras a despires-te, e algumas de piça tesa! Lembras-te que deixavas que tas tirasse para eu ficar a pensar em ti? Pois agora vou mostrar tudo à tua mulher! Eu que pensava que me amavas, tu que dizias que a tua mulher não prestava para nada na cama, pois fica sabendo que lhe vou contar tudo! Eu amo-te, não aguento tanto desprezo, se não trazes cá o dinheiro eu não respondo por mim.» Isto tudo ao mesmo tempo que chorava e soluçava.

Eu não sabia o que é que o outro respondia, penso que estava a tentar acalmá-la, pois os soluços iam passando, e a conversa terminou.

Desligou e ria-se muito, pois ia ficar à espera de que ele fosse ao banco.

Por volta das seis da tarde aparece-me aqui toda contente com um lindo colar de ouro e um telemóvel novo.

Cada vez se ria mais, pois o modelo foi pôr-lhe o dinheiro novamente por debaixo da porta, e do carro telefonou-lhe a chorar como uma criança.

Cá para mim, ele estava a chorar pelo dinheiro dele. Só podia ser.
Ela está a refinar, é cada história pior que a outra.

Não sei onde é que isto vai acabar, mas os golpes da manhosa não têm fim, ou rouba os clientes ou faz chantagem com eles! Isto não pode correr sempre bem, mas ela lá sabe. O mais engraçado é que ela vive e dorme tranquila. Gostou muito da cena que fez, e já está a pensar quem vai ser a próxima vítima.

O modelo que se cuide, pois ela deu-se conta de que o ponto fraco dele é dar uma de bom marido. E dele ela diz, até com alguma piada: «Homem chorão, ou corno ou ladrão.»

sexta-feira, fevereiro 17

O macho latino

Há uns tempos, duas amigas resolveram pregar uma partida a um colega amigo delas.
Não havia mulher que ele não quisesse levar para a cama, em qualquer uma ele achava um encanto especial, fosse preta, branca, loura ou morena, todas lhe davam pica.

Até que um dia estas duas amigas resolveram meter na confusão um outro amigo que era um verdadeiro tarado sexual que vivia cheio de problemas. Não era esquisito, tinha fases em que andava com homens, e outras em que andava com mulheres. Não era feliz com nada, até porque aquela tara trazia-lhe grandes problemas: os homens são muito mais possessivos do que as mulheres, e aí ele levava cada tareia que ficava todo partido.

Elas falaram com ele não lhe dizendo a verdade toda, só lhe disseram que tinham um amigo que era um pedaço de homem, mas que constava que ele estava a virar, e queriam ter a certeza, se era verdade, se ele não se importava de fazer uns telefonemas a fazer-lhe a corte, isto só para elas ficarem esclarecidas, claro!

Foi o que o tarado quis ouvir, e começa com uns telefonemas de engate para o machão, que lhe chamava de cabrão e de filho da puta para cima deveras incomodado com as propostas do outro, pois aquilo era um ultraje à sua virilidade.

Quando elas estavam no café com o machão, uma delas ia à casa de banho e telefonava para o tarado a descrever a toilette do outro. Passado um bocado, lá estava o tarado a telefonar e a fazer elogios ao machão, que se afastava logo para poder insultar o outro à vontade.

O tarado ao fim de algum tempo fartou-se de ser tão insultado e disse às amigas que aquilo devia ser só um boato, pois já tinha feito de tudo para conquistar as atenções do outro e era cada vez mais insultado. Como não havia mais nada a fazer, ia desistir de o engatar.

Um dia em que elas estão novamente no café com o machão, ele conta-lhes toda aquela história do outro que tentou engatá-lo, elas foram ouvindo tudo com muita atenção e ficaram muito admiradas quando ele lhes diz que estava a sentir a falta dos telefonemas do outro, que olhava para o espelho quando acabava de se vestir e que ninguém lhe fazia elogios como o maricas lhe fazia, que nunca nenhuma mulher lhe tinha prestado tanta atenção ou o tinha feito sentir-se tão elegante.

Elas olharam uma para a outra e pensaram que de facto não há homens inconquistáveis.
Assim como não há homens impotentes, há é mulheres incompetentes.

quarta-feira, fevereiro 15

Um português no Brasil

Numa das minhas últimas viagens ao Brasil, conheci um casal simpático. Proprietários de uma fábrica de calçado ali para os lados do Porto.

A mulher, pessoa bem-disposta com grande sentido de humor, era de facto aquele tipo de pessoa que não dá para ninguém ficar triste junto dela.

O marido, mais intelectual, educado, mas muito calado.
Não gosto desse tipo de gente, pois nunca se sabe qual será a maldade que estão para nos pregar.

A experiência ensinou-me que pessoa muito calada, ou que fala connosco sem nos olhar nos olhos, tem sempre qualquer coisa a esconder.

Mas a verdade é que eu não tinha ponta por onde lhe pegar! Atencioso com a mulher, preocupado com ela, tudo normal de mais, e eu com a moleirinha às voltas, pois achava o homem estranho, mas nunca descobri nada até à véspera do regresso.

Afinal, o meu sexto sentido estava a funcionar em pleno, nunca poderei duvidar das minhas capacidades adivinhatórias. Fiquei contente por um lado, e triste por outro, já vos vou contar porquê!

Eu, em vésperas de regressar, entro em stress com a fobia das compras.

Desço para o pequeno-almoço, e a minha amiga já estava vestida com os fatos da piscina e não quis acompanhar-me. Tudo bem, o taxista era de confiança, e eu não sou mulher de medos, pois acho que as coisas só acontecem quando têm de acontecer. Segui para o centro comercial.

Logo a uns duzentos metros do hotel, estava o marido da minha amiga com os calções e as sapatilhas com que ele ia andar a pé uma hora por dia. O taxista parou, ele meteu-se no carro, e eu não fiz perguntas, mas para quem sai do hotel para ir andar a pé, aquilo era no mínino estranho. Uns quilómetros mais à frente, o taxista deixa-o ficar.

Os brasileiros não são de segredos, e este contou-me logo tudo! Afinal, desde que chegámos ao Brasil, o porco andava a sair com uma brasileira que era empregada lá do hotel. Ir caminhar todos os dias uma hora não dava para ninguém desconfiar.

Ele nunca me pediu segredo, era inteligente e apercebeu-se de que eu não ia dizer nada, não por ele!, mas para não magoar uma amiga.

Se por acaso leres isto, manca-te, meu porco! E lembra-te de que a brasileira ia contigo porque pagavas.

Quando falo por telefone com a mulher dele, tenho pena dela, mas como diz o ditado popular… olhos que não vêem, coração que não sofre.

De vez em quando fico a pensar naquela coisa triste com focinho de macaco e na mulher dele, que era um monumento.

Mas a vida é isto. Não acredito em homens fiéis. Sim, porque eu depois daquilo não larguei o taxista enquanto ele não me disse quem era a outra.
Depois que vi de quem se tratava, ainda fiquei mais triste.
Aquilo não era nada!

E aquele porco, em vez de aproveitar o tempo daquelas férias para fazer umas núpcias com a mulher dele, não! Andou entretido a brincar com um macaco qualquer. Sim, porque eu tenho amigas de raça africana que até fazem parar o trânsito! Mas aquilo? Valha-me Deus.

E lá fico eu novamente a pensar nos valentes pares de cornos que alguns homens merecem.

segunda-feira, fevereiro 13

A manhosa em férias

Pois aqui está mais uma história triste mas a que eu acho imensa graça.

A manhosa, sempre que pode, assalta a carteira dos clientes enquanto eles tomam o banho que está incluído no preço da massagem, só que desta vez exagerou, e a coisa está preta.

Ela entusiasmou-se, e o cliente danou-se! Telefonemas dele a ameaçá-la são o prato do dia. Ela pôs-se a pensar e resolveu ir de férias com os filhos, só que o cliente pôs os trabalhadores dele, que são ucranianos, a marcar massagens para ver se a apanha. Não foi nada inteligente, a raiva cegou-o, pois não deixou passar tempo nenhum, e ela desconfiou.

Não sei no que é que isto vai dar, mas a verdade é que ela só se ri, e o medo não é nenhum.
Ela tem um ar fino. É agradável e bem-disposta, aquele tipo de pessoa que até oferece uma certa confiança, daí o engano deles.

Há uns tempos, um cliente ali da zona de Penacova foi roubado em 100 euros enquanto desfrutava do banho quente. Passada uma semana, foi lá novamente e aconteceu-lhe a mesma coisa. Teimoso, foi à terceira e já não quis tomar banho. Quando ela lhe falou nisso, ele começou a vestir-se a correr, fartei-me de rir, e ela também, pois ela é quem mais goza com as maldades que faz.

Agora está com um problema para resolver ao qual dá muita importância. Se calhar até tem lógica, pois todos nós damos importância aos nossos negócios!

A transacção é a seguinte: há um cliente que deve gostar de homens, só que nunca experimentou, tem perto de sessenta anos e não sabe como é que se engata outro homem.

Aí é que a manhosa entra em acção, e até já conseguiu um rapaz de Penacova a quem ela anda a ver se dá a volta. Só que o rapaz tem medo de falhar quando vir o cu do outro à frente dele. O dinheiro é bastante, e ela até já arranjou uma caixa de Viagra para ele não falhar.

Ela disse-me que vai dar metade do dinheiro ao moço, coisa em que eu não acredito, pois nunca a vi tão empenhada. A verdade é que eu não sei de que importância se trata, mas, pela azáfama em que ela anda, a ir ao médico arranjar receita logo pela manhã pelos postos de saúde, é porque a coisa promete.


Outra inquietação grande foi a casa para as férias. Logo que arranjou, deu um sinal à senhoria para firmar o contrato. Só que veio embora de noite com os filhos, pois disse-me que não podia trabalhar ali porque o autoclismo estava avariado. Claro que não pagou o resto do aluguer, a senhoria bem que telefona, mas a verdade é que não lhe vai adiantar de nada, pois o único elemento que tem é um telefone pirata.

Mas a vida é assim mesmo! Só perde quem tem!

quinta-feira, fevereiro 9

A cabreira

Tive conhecimento desta triste história conversando com o próprio, um homem com uma boa posição social e boa pessoa, como vão ter oportunidade de verificar lendo o que passo a relatar.

Este senhor é médico e era casado com uma colega. Gente boa e os dois de boas famílias. Como ele gostava de coleccionar obras de arte, começa a frequentar uma casa que vendia antiguidades.

Por pouca sorte e também por pouco juízo, começa a envolver-se com a sopeira dessa casa, mulher má e de maus sentimentos, um aborto da natureza sem ponta por onde se lhe pegasse.

Farta de guardar cabras na juventude, depois de vir para Coimbra para ser sopeira e levar no focinho da patroa, resolve que iria dar o golpe da barriga com o tal médico, e deu!

A médica mulher dele, bonita e inteligente, não se conformou com tamanha desconsideração e pede o divórcio.

Ele, sem saber o que fazer, mete a cabreira dentro de casa dele, sem lhe passar pela cabeça que estava a meter-se com o diabo.

Passou anos a curar depressões e a andar vestido como um mendigo, pois, mal chegava o fim do mês, ela levantava-lhe o dinheiro todo, até que começa a levantar também o do mês seguinte, comprava jóias para ela e lá foi fazendo o seu saco azul.

Porca e sem hábitos de higiene, não se lavava e passou a fazer da banheira da casa o cesto da roupa suja.

Desanimado e sem coragem para tomar uma atitude, lá foi adoecendo e vivendo naquela pocilga, pois as depressões não ajudam ninguém a tomar atitudes, nem tão-pouco decisões.

O medo dele notava-se, pois as agressões dela tinham requinte, passava por ele e enfiava-lhe com sapatadas nos pés com sapatos de salto alto, a tal ponto que o homem ia para o trabalho com os dedos dos pés partidos e com roupas andrajosas. Isto durou vários anos, até que ele conheceu uma mulher a sério.

A cabreira ficou possessa! Não por ficar sem marido, pois ela esperava ansiosamente que ele morresse, depois de ter sofrido dois enfartes, para ficar com a reforma, e não fazia segredo disso. De homem também não gostava, pois consta que tem outras preferências.

Mas, por estranho que pareça, o homem hoje está cheio de saúde, e ela é que está doente, com depressão, pois terá de voltar a ser sopeira, por raiva, pois a situação ficou fora do controlo dela, por ódio também, pois estragou o P.P.R. do futuro. Digam-me agora se Deus às vezes não é justo...

De tudo isto, o que me dá mesmo pena é uma linda cadelinha que agora é que leva com os saltos dos sapatos da dona nas patinhas.

A sopeira agora lamenta-se de que não pode descer de posição. Como é que alguém pode perder aquilo que nunca teve?

Esta mulher é, de facto, ridícula. Coitada.

quarta-feira, fevereiro 8

Coimbra dos doutores

Há uns anos, e sem Internet, já havia muita (mas mesmo muita) pouca-vergonha. E do que é que se lembraram dois amigos? De ir ler o jornal diário para ver se arranjavam qualquer coisa de interessante para fazer no fim-de-semana. Ele é médico, ela é professora.

Começaram a ler o jornal, e eis que de repente eles encontram algo que lhes chamou a atenção! «Casal de respeito aceita outro nas mesmas condições para jogos amorosos.» Como eles nem sequer eram casal, telefonaram logo para a Figueira da Foz a marcar o encontro.

Ela, que nessa altura tinha um namorado casado e muito ciumento, tentou enganá-lo dizendo que ia para a aldeia dela no fim-de-semana, coisa em que ele não acreditou, mas, fingindo que sim, calou-se.

Quando chegou o sábado, começou a fazer as suas buscas para tentar descobrir onde andaria a amante dele. O carro depressa o encontrou, no parque para as visitas aos doentes no hospital da universidade.

Foi até à Figueira e logo descobre o carro do outro, de quem também era amigo, ali na avenida principal. Desconfiado, esperou um bocado e resolve ir ele investigar por conta própria.

Não sabia qual era o apartamento, portanto foi arranjar um caderno para apontamentos e começa a fingir que andava a fazer um inquérito sobre qualquer coisa que de momento não me lembro.

Ao fim de bater a várias portas, lá consegue encontrar a que queria. Veio uma senhora à porta com uma camisa transparente esquisita dizer que não estava interessada em responder a questionários nenhuns, quando ele ouve a voz da amante lá dentro a conversar na sala.

Entra de rompante e o que é que ele vê?! A mulher, que ele pensava que estava num gozo danado, sentada num sofá com umas grandes trombas a assistir ao programa que era o seu companheiro de aventura a ir ao cu ao outro.

Este amigo riu-se a perder, porque, ainda para cúmulo da situação, a dona da casa não se aborreceu nada com a invasão e começou a atirar-se a ele. Aonde é que esta situação os conduziu? À pouca-vergonha claro!

A dona da casa enrolou-se com o intruso, que não ligou nenhuma à amante para a castigar da mentira que ela lhe tinha pregado, ou então por ter engraçado com a outra!

Vá-se lá saber os porquês destas coisas, todos se fartaram de gozar menos a outra, que ficou de burro amarrado por ser apanhada na mentira, e ainda por cima ficar o tempo todo sentada no sofá sem ninguém a convidar para andar também por ali ao molho.

Estes dois amantes zangaram-se durante algum tempo, mas depois passaram a ser grandes amigos e a arranjar amantes um para o outro.

Como podem verificar, estas cenas extravagantes têm vindo a acontecer
desde sempre. E não são exclusivo do Império Romano.

As mentiras têm perna curta, e de vez em quando acontecem estes acidentes de percurso. Ela devia de ter levado isto na desportiva, pois assistiu a um grande espectáculo sem pagar nada, mas não: chateou-se!

terça-feira, fevereiro 7

O choné

A grande maioria das mulheres pensa pouco e chora muito.

Durante algum tempo apareceu cá por casa uma senhora ainda jovem. Andava aí com uma paixão que tinha tudo para ser um fracasso! O amante, homem vivido, com boa situação económica, um casamento bem estruturado, esposa com óptimo emprego e muito boa apresentação.

Mas como os homens nunca estão bem com a roupa que têm, este também tinha de fazer porcaria.

A minha cliente nunca tinha trabalhado, o que faz qualquer mulher criar maus vícios; o marido era director duma boa empresa e não lhe faltava com nada.

Como estava cheia de boa vida e farta de estar bem, começa a descambar. Amante para aqui, queca para ali, sentia-se a maior.

O maior erro e a maior loucura que ela cometeu foi contar a todas as “amigas” a porcaria que andava a fazer.
Cada vez que ia dar uma queca, dizia: «Se encontrares o choné, diz que eu estive contigo!»

Como as mulheres são muito amigas umas das outras, ela depressa se deu mal com esta história.

Como o choné até era bem-parecido, começou logo a ser assediado pelas “amigas” e a saber de tudo o que se andava a passar com a mulher. Não se precipitou!

Arranjou tudo o que era prova da infidelidade dela, isto tudo com a preciosa colaboração das amigas dela, e entra com um processo de divórcio litigioso onde a deixa com uma mão à frente e outra atrás.

As amigas começaram a afastar-se como o diabo da cruz! E a parvalhona cada vez mais só, pois o outro também se pôs a milhas.

Já repararam que os homens gostam mais das mulheres enquanto estas estão com os maridos?
O amante levou a mulher dele a fazer uma viagem de reconciliação e tudo ficou bem, a outra anda para aí a lavar escadas.

O marido não ficou com nenhuma das traidoras. Usou-as enquanto lhe deram jeito! Aí gostei!
Merece um elogio da minha parte, pois a grande maioria dos homens desestabiliza e mete-se logo com a primeira puta que lhe aparece pela frente.

Até pergunto a mim mesma como é que esta mulher nunca pensou que não tinha emprego nem nada a que se agarrar no caso de as coisas darem para o torto!

Mas são tantas as que dão tudo a troco de nada, que nem vale a pena pensar muito nisso. Cada cabeça é um mundo.

segunda-feira, fevereiro 6

A Manhosa e a Intrusa

A manhosa hoje telefonou-me novamente, pois queria um conselho.
Logo pela manhã, recebe um telefonema de uma brasileira que viu o contacto dela no jornal.
A brasileira ofereceu-lhe os serviços dela, pois estava a precisar muito de trabalho.
Tinha estado a trabalhar no Algarve, mas vinha cheia de queixas dos algarvios. Que eram pouco delicados, que não tratam bem as mulheres, que estava farta daquilo, etc.

A manhosa estava com a agenda cheia, mandou-a ir ter a casa dela.
A outra chega e começa logo a aviar os cientes velhos.

Lá mais para a tarde, telefona-me outra vez, já para dizer mal do trabalho da outra, que ela não sabia fazer massagens nem o resto. Que tinha andado a ver o trabalho dela e que não estava a gostar.

Eu fiquei a pensar por que teria ela de andar a ver a outra a foder, por que é que ela, que era quem recebia o dinheiro, não perguntava aos clientes se eles tinham sido bem atendidos pela sua colaboradora? Era o mais correcto! Mas não! Andou a vigiar tudo.

Mais tarde, telefona-me outra vez a dizer-me que a brasileira andava toda a tremer, e que deixava cair tudo das mãos. Eu respondi-lhe: «Deixa a mulher fazer o serviço dela! Não andes a vigiá-la. Se ela treme, é porque está nervosa ou com fome. Dá um copo de leite à moça e deixa-a trabalhar em paz!» «Não é preciso, ela tomou um comprimido, e as tremuras estão a passar-lhe.»

Tomei consciência do que ali se estava a passar. A moça era drogada ou alcoólica. Como já tinha desligado, liguei-lhe eu e disse-lhe: «Manda essa mulher embora, porque ela deve ser drogada.» Resposta dela: «Eu já lhe ligo, estou a fazer as contas.»

Ela não dizia nada, ligo novamente! Mas que rebuliço ali se estava a passar? Foi a brasileira que fez 200 euros, e a manhosa só lhe deu 30, pois perdeu muito tempo a ensiná-la a trabalhar.Fartei-me de rir, pois já estava à espera de uma cena do género.

Quando a outra se foi embora, perguntei-lhe: «Ouve lá, por que é que roubaste a preta?» «Qual preta? Ela é mais loura que eu! Além disso, os clientes eram meus, a casa era minha, a água do banho era minha, a cama era minha. Só a cona é que era dela!»

Fartei-me de rir. A forma como ela vê as coisas deixa-nos sem argumentos.

quarta-feira, fevereiro 1

O casamento da manhosa

Ontem lembrei-me de perguntar à manhosa porque é que ela tinha ido casar para Lisboa, sendo ela aqui de perto. A explicação foi a seguinte:

Era ela jovem e ainda morava com os pais, gente de poucos recursos que vivia numa aldeia junto à serra onde existem apenas pedras e mato. Eles possuíam um pequeno rebanho, que ela levava para os pastos de vez em quando.

Tinha treze anos quando um outro jovem de quinze anos a violou. Os tempos eram outros, e as mentalidades também. Os pais trataram logo de querer limpar a honra da jovem, foram falar com um senhor lá vizinho que tinha um parente deficiente em Lisboa, enfim, «pior a emenda que o soneto», a coisa lá fica combinada com o tal familiar, e passado algum tempo aparece a tal família de Lisboa para conhecer a moça, muito jovem e muito bonita!
Pelo menos o pai do rapaz gostou muito… e logo arranjou maneira de a levar para casa já com eles! Não fosse o outro que a violou engravidá-la.

Já em Lisboa, o pai do rapaz resolveu que ela iria todos os dias com ele para o trabalho para poder um dia dar continuidade ao negócio de família, dado que a esposa era funcionária pública.

Aí é que começa um novo episódio da vida da jovem. O futuro sogro, homem quarentão, sabido, charmoso e porco!, tratou logo de aliciar a miúda com almoços, prendinhas, passeios pela serra de Sintra...

Não tardou, portanto, que a coisa se desse! Aquilo durou até aos dezasseis anos dela, altura em que ela engravida.

Aí ele teve de pensar com a cabeça de cima e combinou com ela que, na hora em que a mulher voltasse do trabalho, ela devia estar deitada na cama do filho.
A tramóia ficou preparada entre os dois, pai e noiva.

A partir dali o marido fala com a mulher dele, porque «em alturas de aperto eles sempre falam com as mulheres», e resolvem casar os jovens. Ela ainda hoje não sabe explicar-me que doença é que o rapaz tinha, para mim aquilo era esquizofrenia mas não total, porque na hora de o casarem ele começa a ter um ataque de soluços e a inchar de tal maneira, que os sapatos, que eram de pala com elásticos dos lados, rebentaram todos.

O sr. notário já não os queria casar, deve ter achado ali qualquer coisa de estranho, mas o sogro foi lá dentro falar e ele ainda os casou antes de chegar a ambulância.

No fim da cerimónia, o noivo foi para o hospital à pressa, e a noiva foi com um primo dele para fazer de noivo para os jardins de Sintra tirar as fotografias. O copo-d’água fez-se na mesma…

Mas, nisto, alguém se lembrou de criticar o segundo fato da noiva.
Ela, ainda criança, ficou triste e começou a chorar. Estava inconsolável e foge para a casa de banho.

Eis que estava lá na festa um rapaz cabo-verdiano, muito giro, que se meteu logo com ela lá dentro, a consolá-la.

A queca foi de tal ordem, que a cabeça dela batia na porta de madeira com toda a força. O pai dela foi ver o que se passava com a filha, e só a ouvia a gemer e a cabeça dela a fazer pum… pum… pum…

Começa então o pobre homem a confortá-la: «Não te mates, filha, que nós vamos anular o casamento!» Então ela responde: «Vai chamar a mãe, que eu falo com ela.» Foi aí que o outro aproveitou para sair da casa de banho.

A festa continuou, a noiva já estava mais calma! Mas, como estava cansada, foi com o sogro levar os pais à estação, a sogra foi para o hospital saber notícias do filho. A noiva e o sogro ficaram lá por Lisboa, numa residencial até às tantas, dizendo depois em casa que os pais da noiva tinham perdido o comboio.

Núpcias com dois homens, e nenhum era o marido! Nem me passava pela cabeça que pudesse acontecer a alguém!

«Felizmente que naquele tempo ainda havia muito homem a gostar de mulher», mas a história não termina aqui.

O marido acaba por sair do hospital ao fim de um mês. Ela, passados uns tempos, tem um filho que também nasceu doente.
A carga começou a ser demasiado pesada, e as responsabilidades também, para os dezassete anos dela.

Começa a fazer as malas e veio embora, não sem antes ter uma discussão com a sogra. A sogra não achava bem que ela deixasse o filho e o marido. Ela responde-lhe: «Filho e marido, não, pois eles são irmãos!»

Deixou o casal a discutir forte e feio e arrancou rumo à Figueira da Foz. Arranjou emprego num restaurante, e acho que aí foi a primeira vez que ela gostou de alguém a sério – do dono do restaurante.

Durante uns tempos, e embora trabalhando muitas horas, foi feliz, até que o tal cavalheiro a pôs na cama a dormir com ele e com a mulher.

Já passaram vinte anos, ainda hoje ela tem aquilo presente. Acho que foi o maior trauma da vida dela.

Essa relação acabou logo. Depois de vários empregos, e de vários homens à mistura, eis que lhe aparece o tal que tinha a confeitaria no Porto.

Dessa relação ela teve um filho saudável. Aos catorze anos, o moço pede à mãe para irem a Lisboa conhecer o irmão.

Foram e foi outra tragédia! Os sogros receberam-na bem, e os dois irmãos foram visitar um centro comercial ali por perto. Qual não é a aflição do mais jovem quando o irmão doente começa a ter um ataque.
Telefona para a mãe os ir buscar, pois não sabia o que fazer.

O meu conselho para ela foi que não aparecesse mais, pois de cada vez que aparece… Meu Deus, é um pandemónio!

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É a partir deste episódio que os meus leitores ficarão a conhecer a história da manhosa e da sua casa de massagens, dos clientes que a visitam e ainda algumas das taras destes.