O otário
Há dias, apareceu-me aqui em casa um homem dos arredores de Castelo Branco que era dono de uma serração e de uma frota de camiões.
Era casado, mas isso não o impediu de se meter com uma brasileira que trabalhava numa casa de alterne. A mulher depressa teve conhecimento do que se estava a passar, e abandonou a casa. Ele ficou todo contente! O que é que um homem mais deseja quando arranja uma puta? Liberdade, claro!
Meteu-a em casa, a mulher passou-se, e deu-lhe uma procuração para ele vender tudo e dar-lhe a metade dos bens que tinham em comum.
Ele depressa se desfez das coisas, passando tudo para o nome da puta. Inteligente! Quando já estava a viver com a brasileira, fez novamente uma viagem ao Brasil para comprar umas madeiras exóticas.
O homem andava em maré de sorte! Arranjou logo outra brasileira, que quis vir conhecer Portugal. Ele não se fez de rogado, até porque isto de putas, quanto mais, melhor.
Hospedou-a num hotel lá por perto e começam as saídas nocturnas.
A outra, que era batida, mandou-o seguir por um motorista ucraniano com quem já andava de caso. Esta pensou e pôs-lhe a questão com grande abertura, dizendo-lhe para trazer a outra lá para casa, até porque não se deixa uma patrícia na rua. O parvo nem sequer achou que aquilo era muita fartura. Estava feliz, era um homem realizado!
A nacionalidade da outra também não foi problema. Ele tinha um tio num lar, e trataram do casamento. Só que este velho, além de não ter filhos, tem pinhais e terrenos a perder de vista. Não lhes irá ser muito difícil ficar com alguma coisa ao velhote.
A primeira mulher, à boa maneira portuguesa, danou-se e pôs-se a andar, só que o parvo agora está metido com profissionais. Deram-lhe a volta na cama, e fizeram-lhe o mesmo que ele fez à mulher que trabalhou junto dele durante vinte anos.
O burro até tem o que merece! Como é que esta besta foi confiar assim em duas desconhecidas? Falinhas mansas, carinho para aqui, amorzinho para ali. Aquilo é que deve ter sido cada bacanal! Uma coisa é certa: para o homem fazer tanta asneira junta, muita coisa se deve ter passado naquela cama.
Veio procurar-me porque elas estão a vender tudo para se irem embora. Já o afastaram da firma e estão para o mandar com dono.
Ele veio aqui para saber o que é que eu poderia fazer por ele, pois a situação já estava fora de controlo.
Olhei para ele e respondi-lhe: «O senhor por acaso consultou-me antes de fazer tanta asneira junta? O senhor acha que eu sou a Senhora de Fátima? Do que o senhor precisa mesmo é de um milagre! Reze muito!»

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