O boi
Hoje tive uma surpresa que me deixou contente. Encontrei uma moça da minha terra que já não via há algum tempo.
Fomos as duas tomar um café, e começámos a recordar algumas histórias do passado, quando de repente me lembrei de lhe perguntar se o boi já tinha aparecido! Ela fartou-se de rir, e eu também.
Ainda ela era casada quando se engraçou por um rapaz lá da terra. Em pequenas freguesias, todos nos conhecemos uns aos outros, e esta história é famosa, pois o rapaz até era o melhor amigo do marido.
Num dia em que estão nos copos os dois, o rapaz lembra-se de que tem um compromisso, deixa o amigo já bem bebido na tasca, e sai a correr para casa deste.
O que nunca lhe passou pela cabeça foi que o outro se lembrasse de ir para casa tão cedo, que por pouco os apanhava na cama.
Foge a correr e com a roupa de gabela, como ela diz, e cai dentro de uma vala que passava próximo da casa do amigo. Este, quando entra em casa, mesmo a cair de bêbado, deu-se conta de que alguém tinha estado a cumprir com as obrigações que ele já nem sequer cumpria há muito tempo, pois as bebedeiras eram monumentais.
Pega na caçadeira e vai em perseguição do intruso! Quando começa à procura do traidor, este, que já tinha caído na vala, deitou-se todo lá dentro, isto em pleno mês de Janeiro, e nu.
Quando passou o perigo, foi para casa, morto por um banho quente.
Quem é que ele encontra ao pé da casa dele? O marido da amante!, que vinha para lhe contar a cena que tinha acontecido depois de eles se separarem.
Mesmo bêbado, olhou para o outro todo molhado e pergunta-lhe o que é que lhe tinha acontecido. O rapaz diz-lhe: «Sabes, quando cheguei a casa, dei-me conta de que me tinha fugido um boi do curral, mas já o encontrei... E que grande boi! E tu, o que é que te aconteceu para andares de caçadeira?» O amigo lá lhe contou as desconfianças com que estava na cabeça em relação à sua mulher.
O outro respira de alívio e promete-lhe que, a partir daquele momento, seria ele a ajudá-lo naquela triste situação e que iria descobrir tudo rapidamente, pois os amigos são para as ocasiões! O outro boi lá se foi embora mais tranquilo, pois já tinha um aliado.
A partir dali, as coisas começaram a correr sobre rodas para os dois amantes, a liberdade era sem dúvida muito maior.
Quando o bêbado chegava a casa, o outro saía de mansinho, pois passaram a ter mais cuidado para não bater com a porta, descuido que da outra vez tinha sido o responsável pela percepção de que andava mouro na costa.
Então era assim: quando o bêbado chegava, o outro saía, dava um bocado de tempo, e depois batia-lhe à porta, dizendo: «Se calhar estás enganado, pois estive aqui toda a noite e não vi nada! Mas descansa, que eu vou perder quantas noites forem precisas até saber o que é que se está a passar.»
Já mais feliz e descontraído, o boi passou a fazer maiores noitadas, e as bebedeiras também eram maiores.
E lá foram os três felizes durante uns tempos, mas não para sempre.
Fomos as duas tomar um café, e começámos a recordar algumas histórias do passado, quando de repente me lembrei de lhe perguntar se o boi já tinha aparecido! Ela fartou-se de rir, e eu também.
Ainda ela era casada quando se engraçou por um rapaz lá da terra. Em pequenas freguesias, todos nos conhecemos uns aos outros, e esta história é famosa, pois o rapaz até era o melhor amigo do marido.
Num dia em que estão nos copos os dois, o rapaz lembra-se de que tem um compromisso, deixa o amigo já bem bebido na tasca, e sai a correr para casa deste.
O que nunca lhe passou pela cabeça foi que o outro se lembrasse de ir para casa tão cedo, que por pouco os apanhava na cama.
Foge a correr e com a roupa de gabela, como ela diz, e cai dentro de uma vala que passava próximo da casa do amigo. Este, quando entra em casa, mesmo a cair de bêbado, deu-se conta de que alguém tinha estado a cumprir com as obrigações que ele já nem sequer cumpria há muito tempo, pois as bebedeiras eram monumentais.
Pega na caçadeira e vai em perseguição do intruso! Quando começa à procura do traidor, este, que já tinha caído na vala, deitou-se todo lá dentro, isto em pleno mês de Janeiro, e nu.
Quando passou o perigo, foi para casa, morto por um banho quente.
Quem é que ele encontra ao pé da casa dele? O marido da amante!, que vinha para lhe contar a cena que tinha acontecido depois de eles se separarem.
Mesmo bêbado, olhou para o outro todo molhado e pergunta-lhe o que é que lhe tinha acontecido. O rapaz diz-lhe: «Sabes, quando cheguei a casa, dei-me conta de que me tinha fugido um boi do curral, mas já o encontrei... E que grande boi! E tu, o que é que te aconteceu para andares de caçadeira?» O amigo lá lhe contou as desconfianças com que estava na cabeça em relação à sua mulher.
O outro respira de alívio e promete-lhe que, a partir daquele momento, seria ele a ajudá-lo naquela triste situação e que iria descobrir tudo rapidamente, pois os amigos são para as ocasiões! O outro boi lá se foi embora mais tranquilo, pois já tinha um aliado.
A partir dali, as coisas começaram a correr sobre rodas para os dois amantes, a liberdade era sem dúvida muito maior.
Quando o bêbado chegava a casa, o outro saía de mansinho, pois passaram a ter mais cuidado para não bater com a porta, descuido que da outra vez tinha sido o responsável pela percepção de que andava mouro na costa.
Então era assim: quando o bêbado chegava, o outro saía, dava um bocado de tempo, e depois batia-lhe à porta, dizendo: «Se calhar estás enganado, pois estive aqui toda a noite e não vi nada! Mas descansa, que eu vou perder quantas noites forem precisas até saber o que é que se está a passar.»
Já mais feliz e descontraído, o boi passou a fazer maiores noitadas, e as bebedeiras também eram maiores.
E lá foram os três felizes durante uns tempos, mas não para sempre.

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