sábado, dezembro 10

A manhosa

Esta cena passa-se num restaurante aqui nos arredores de Coimbra.

Há duas empregadas de mesa, a manhosa e uma outra rapariga, mais simples e mais ingénua.
Começam as duas a ler o Diário de Coimbra, na página dos contactos.

A manhosa é nativa de Capricórnio e depressa se fartou das leituras. É óbvio que a paciência não é o forte dela. Mas sempre com um olho no burro e outro no cigano, para ver o que se iria passar com a colega.

Deu umas voltas pela sala, compôs uma mesa aqui, ajeitou umas flores ali, mas depressa veio ver o que é que a outra tencionava fazer.

A outra já tinha tomado uma decisão e disse-lhe que ia responder a um senhor que tinha uma confeitaria no Porto.

Como era de esperar, a manhosa ficou à coca.

Os dias foram passando, até que o cavalheiro resolve vir ver o que estaria por ali à espera dele.
Mesmo em cima da hora do encontro, a manhosa decidiu que a colega devia ir tomar um banho para ficar com um ar mais apresentável – como se sabe, «as mulheres são muito amigas umas das outras».

O cenário estava montado, e quem ficou à espera do tripeiro foi ela.

A cena depressa se deu! Ele por fim chegou e pergunta pela tal rapariga; a manhosa gostou do aspecto dele e depressa fez a cama à colega: «Não me diga que o senhor também é dos anúncios!» Ele respondeu que sim.

A manhosa disse-lhe logo que ele nem sabia no que se estava a meter, pois a candidata tinha acabado de sair com outro. Que tinha muitas coisas para lhe contar mas, como estava no local de trabalho, não podia estar ali com esse tipo de conversas.

O cavalheiro perguntou logo se não a podia ir esperar, pois estava deveras interessado em saber de tudo.

Num instante, houve as respectivas trocas de telefone, não fosse a candidata aparecer.
A outra lá saiu do banho e ficou à espera até hoje, pois a manhosa não tinha visto por ali ninguém.

A coisa pegou de estaca entre o tripeiro e a manhosa, que é bonita e tem boa apresentação, e lá vão os dois para o Porto. Ela de malas aviadas, e ele todo contente por ter arranjado duas em uma: mulher e empregada.

Escusado será dizer que isto foi um fiasco de todo o tamanho! Ele enfardava nela por tudo e por nada.

Ela regressou novamente a Coimbra, mas com um filho na barriga.

Isso não a impediu de ir procurar trabalho, e depressa arranjou como empregada de balcão de um supermercado.

O dono já tinha uma certa idade, mas a situação não permitia esquisitices e muito menos demoras, pois a barriga não tardaria em crescer.

O homem teve muita pena dela! Em três tempos, ela deu-lhe a volta, ele põe a mulher na rua, e ficam a viver os dois. Cornos a torto e a direito, mas como alguns até gostam… Lá continuaram juntos alguns anos, até que o negócio ficou em nome dela.

Passado algum tempo, pôs o negócio a trespasse e o marido com dono.
Resolveu então mudar de vida e de profissão também.

Mas esta história não acaba aqui.
Passados dois ou três meses, aparece-me aqui luxuosamente vestida, com uma bonita peruca loura e acessórios do melhor. Fico espantada! Perguntei-lhe se lhe tinha saído a sorte grande, e ela respondeu-me: «Claro que não, abri uma casa de massagens! Mas não é nada o que eu esperava, pois já tive de comprar três tamanhos de vibrador, que é o que a maior parte dos clientes pede agora. De qualquer maneira, ganha-se melhor a vida do que a trabalhar.»

Aquilo dos vibradores não me surpreendeu!
O que eu acho é que, depois que os homens começaram a ver o canal 18 na televisão, todos se sentem artistas porno, e vá de exigir.

Já lá vai o tempo em que eles ficavam todos contentes com uma queca deitados por baixo, ou por cima, agora já não é assim.

Enfim, a profissão mais velha do mundo continua a render passados séculos.