segunda-feira, novembro 7

Coimbra é uma lição…

Numa vila aqui bem próxima de Coimbra, havia um casal de professores que assim à primeira vista até era um casal normal, mas estas coisas nem sempre são o que parecem, e eu estou a viver na terra do faz de conta.

O marido era director de uma instituição, e a esposa dava aulas. Só que o marido fazia ausências para o estrangeiro com alguma frequência, o que deixava espaço de manobra para a esposa fazer aquilo de que mais gostava: sexo.

Estas vidas em terras pequenas depressa começam a circular, primeiro em segredo, que é quando tudo se sabe mais depressa, e depois à boca cheia, que é quando deixa de ter interesse.

Ora bem, depois de todo o mundo saber, menos o corno, claro!, os colegas do dr. combinam um jantar com muito aparato e muitos amigos, onde lhe participaram oficialmente que ele era corno. Mas que grande acontecimento!

O sr. director não morreu ali mesmo porque não calhou, mas que passou um mau bocado com os “amigos” a confortá-lo, lá isso passou! O homem ficou muito agradecido por ter tantos amigos, e a partir daquele momento passou a fazer tudo como eles mandavam.

Primeira coisa a ser por eles decidida era o sr. director fazer de conta de que ia viajar e ficar por cá mesmo para dar o flagrante na mulher. Ele assim fez! Passados uns dias, faz as malas, fingindo que viaja, e fica escondido na casa de campo de um deles.

Quando chegou a noite, começam alguns a fazer a vigia para ver quando a mulher saía de casa, até que por fim ela sai para se ir encontrar com o amante.

Com os telemóveis todos a funcionar, aquilo era uma alegria que só visto para todos, menos para o corno. Conseguem por fim dar com ela e com o amante numa clareira ali por perto. Fazem como que uma emboscada, aquilo parecia a guerra do Iraque!, pondo os carros todos à volta de faróis no máximo.

Aproximaram-se devagarinho, até porque não viam a cabeça dela. O corno do marido abriu a porta do carro do outro de repente, e eis que vê a sua esposa com a cabeça enfiada entre as pernas do amante. A atitude que o corno tomou foi digna de um senhor, foi ir buscar uma pasta de cabedal ao carro de onde tira uma folha de papel e uma caneta e começa e escrever o seguinte documento:

«Eu, fulano de tal. encontrei a minha mulher a chupar uma piça que não era a minha no carro de um cavalheio que não era eu, isto passou-se no dia tantos do tal. Agradeço aos amigos que me ajudaram a fazer esta grande descoberta que assinem este documento, que me poderá vir a ser útil para o meu processo de divórcio.»

Os amigos, surpreendidos, com aquela reacção, assinaram aquele documento histórico, que depois circulou em fotocópia por toda a vila. Ora bem, como eu sou gandaresa, nunca me tinha passado pela cabeça que um homem para ser corno precisasse de um atestado para o justificar.

É que quando estas coisas acontecem na minha terra, os cornos apanham uma besana tão grande, que até ficam de cama para se curar, e a coisa fica por isso mesmo. Cá por Coimbra, não! As pessoas são muito mais civilizadas!

Cada vez gosto mais de viver nesta cidade, pois todos os dias tenho cada lição de cultura, que até fico acordada na minha cama durante horas a meditar em tanta sabedoria.