A cueca
Mas que estranha forma de vida que algumas pessoas têm!
Saí hoje de manhã cedo para me encontrar com um amigo de longa data para ver se conseguíamos fazer um negócio em parceria.
Logo que cheguei ao pé dele perguntei-lhe como estavam as coisas entre ele e a mulher depois daquela perseguição a cento e tal à hora na estrada da Mealhada, onde ele a apanhou com um amante.
Respondeu-me que isso era assunto morto e enterrado e que já estavam divorciados, embora passem parte do tempo na mesma casa.
Na casa que é, até podem passar muito tempo sem se ver, pois aquilo é um palácio.
Este meu amigo, já no tempo em que era casado e que ainda viviam na casa antiga, tinha um fétiche estranho: andava com os pintelhos da mulher religiosamente guardados na carteira.
Isto irritava solenemente a senhora, pois dizia-me que ele andava de cu para o ar a apanhar os pintelhos para fazer a colecção, nem sequer sabendo ao certo a quem pertenciam, pois o filho também se banhava na mesma casa de banho que ela.
Eu sabia disto pela própria mulher. Pertencemos os três a freguesias muito próximas e conhecemo-nos desde muito jovens.
Hoje, quando lhe perguntei como lhe estavam a correr as coisas, referindo-me aos negócios dele, claro, fiquei espantada quando ele me respondeu:
«Sabe o que me anda a chatear agora? É que a mulher com quem ando já não me empresta as cuecas!» «Calma! Conte-me tudo, porque eu não sei nada dessa história das cuecas!»
«Então é porque me esqueci de lhe contar, é que a moça de quem eu gosto já não quer ir para a cama comigo, mas eu até nem me importo. Ela usa as cuecas três dias, e depois eu fico com elas dois ou três dias, entrego-lhas novamente, ela lava-as e entrega-me outras que já usou três dias.» «O quê? Ela anda com as suas cuecas vestidas?» «Você esta tola? Não! Com as cuecas dela, e fazíamos isto com certa frequência, só que agora ela não quer dar-me mais cuecas.»
Fiquei a olhar para ele não compreendendo bem este fétiche mas não dando a entender que até estava parva com tal conversa.
Mas compreendi tudo, até compreendi que aquela urgência da troca até tinha uma explicação, é que as cuecas tinham de estar com cheiro a cona, e quando perdiam o cheiro aquilo já não lhe interessava.
E ainda por cima ele leva-a a ela e ao marido a jantar todos os dias a restaurantes de luxo, a tal vida de rico que ela desconhecia, pois tanto ela como o marido são operários.
Bem! Não posso mesmo deixar de escrever, porque quando menos espero contam-me cada história pior que a outra.
Quando cheguei a casa, telefonei a uma amiga que adora estas conversas, e qual não é o meu espanto quando ela me conta que há cerca de quatro anos que não dá uma foda sem ser de botas calçadas, pois o homem que ela tem só consegue dar a foda se ela estiver de botas e cinto.
Isto do sexo é muito complicado, não vale mesmo a pena tentar entender! É assunto para profissionais. Quanto mais tento entender por que é que os homens gostam mais das mulheres quando levam com um par de cornos, nunca chego a nenhuma conclusão! O que eu penso é que eles gostam porque, se é bom para os outros, porque é que não há-de ser também para eles?
Mas que grande confusão, nunca vou ter a certeza de nada. Um dia, ainda vou falar com um profissional para ficar com uma noção do que é que se passa com estas pessoas que à primeira vista me parecem gente normal.
As mulheres também têm algumas taras.
Uma cabeleireira que tive na Figueira da Foz só conseguia ter um orgasmo depois de levar no focinho, mas assim uma coisa a parecer bem, pois se não ficasse com um olho negro ou com a boca toda a sangrar, aquilo não surtia efeito nenhum. Tinha de ser a doer; se não fosse, não se passava nada nem que o homem estivesse montado em cima dela o dia todo!
Portanto, acho que tenho de estudar ou ler muita coisa sobre este assunto. E mesmo assim não será fácil entender tais aberrações.
Uma amiga minha, depois de ouvir esta conversa toda, contou-me que, numa noite em que esteve de serviço na clínica onde trabalha, tiveram um trabalho danado para esconder um doente que estava todo engessado enquanto uma doente dormia, pois ela tentava violar o homem à força. E mesmo assim, sempre que entra um médico ou enfermeiro no quarto, a criatura abre logo as pernas e os braços.
Também acho que isto não é comportamento nenhum. Mas, enfim, isto que a mim me faz uma certa confusão se calhar até é normal nos dias de hoje.
