segunda-feira, novembro 28

A cueca

Mas que estranha forma de vida que algumas pessoas têm!
Saí hoje de manhã cedo para me encontrar com um amigo de longa data para ver se conseguíamos fazer um negócio em parceria.

Logo que cheguei ao pé dele perguntei-lhe como estavam as coisas entre ele e a mulher depois daquela perseguição a cento e tal à hora na estrada da Mealhada, onde ele a apanhou com um amante.

Respondeu-me que isso era assunto morto e enterrado e que já estavam divorciados, embora passem parte do tempo na mesma casa.
Na casa que é, até podem passar muito tempo sem se ver, pois aquilo é um palácio.

Este meu amigo, já no tempo em que era casado e que ainda viviam na casa antiga, tinha um fétiche estranho: andava com os pintelhos da mulher religiosamente guardados na carteira.
Isto irritava solenemente a senhora, pois dizia-me que ele andava de cu para o ar a apanhar os pintelhos para fazer a colecção, nem sequer sabendo ao certo a quem pertenciam, pois o filho também se banhava na mesma casa de banho que ela.
Eu sabia disto pela própria mulher. Pertencemos os três a freguesias muito próximas e conhecemo-nos desde muito jovens.

Hoje, quando lhe perguntei como lhe estavam a correr as coisas, referindo-me aos negócios dele, claro, fiquei espantada quando ele me respondeu:
«Sabe o que me anda a chatear agora? É que a mulher com quem ando já não me empresta as cuecas!» «Calma! Conte-me tudo, porque eu não sei nada dessa história das cuecas!»
«Então é porque me esqueci de lhe contar, é que a moça de quem eu gosto já não quer ir para a cama comigo, mas eu até nem me importo. Ela usa as cuecas três dias, e depois eu fico com elas dois ou três dias, entrego-lhas novamente, ela lava-as e entrega-me outras que já usou três dias.» «O quê? Ela anda com as suas cuecas vestidas?» «Você esta tola? Não! Com as cuecas dela, e fazíamos isto com certa frequência, só que agora ela não quer dar-me mais cuecas.»

Fiquei a olhar para ele não compreendendo bem este fétiche mas não dando a entender que até estava parva com tal conversa.
Mas compreendi tudo, até compreendi que aquela urgência da troca até tinha uma explicação, é que as cuecas tinham de estar com cheiro a cona, e quando perdiam o cheiro aquilo já não lhe interessava.

E ainda por cima ele leva-a a ela e ao marido a jantar todos os dias a restaurantes de luxo, a tal vida de rico que ela desconhecia, pois tanto ela como o marido são operários.
Bem! Não posso mesmo deixar de escrever, porque quando menos espero contam-me cada história pior que a outra.

Quando cheguei a casa, telefonei a uma amiga que adora estas conversas, e qual não é o meu espanto quando ela me conta que há cerca de quatro anos que não dá uma foda sem ser de botas calçadas, pois o homem que ela tem só consegue dar a foda se ela estiver de botas e cinto.

Isto do sexo é muito complicado, não vale mesmo a pena tentar entender! É assunto para profissionais. Quanto mais tento entender por que é que os homens gostam mais das mulheres quando levam com um par de cornos, nunca chego a nenhuma conclusão! O que eu penso é que eles gostam porque, se é bom para os outros, porque é que não há-de ser também para eles?

Mas que grande confusão, nunca vou ter a certeza de nada. Um dia, ainda vou falar com um profissional para ficar com uma noção do que é que se passa com estas pessoas que à primeira vista me parecem gente normal.


As mulheres também têm algumas taras.
Uma cabeleireira que tive na Figueira da Foz só conseguia ter um orgasmo depois de levar no focinho, mas assim uma coisa a parecer bem, pois se não ficasse com um olho negro ou com a boca toda a sangrar, aquilo não surtia efeito nenhum. Tinha de ser a doer; se não fosse, não se passava nada nem que o homem estivesse montado em cima dela o dia todo!

Portanto, acho que tenho de estudar ou ler muita coisa sobre este assunto. E mesmo assim não será fácil entender tais aberrações.

Uma amiga minha, depois de ouvir esta conversa toda, contou-me que, numa noite em que esteve de serviço na clínica onde trabalha, tiveram um trabalho danado para esconder um doente que estava todo engessado enquanto uma doente dormia, pois ela tentava violar o homem à força. E mesmo assim, sempre que entra um médico ou enfermeiro no quarto, a criatura abre logo as pernas e os braços.

Também acho que isto não é comportamento nenhum. Mas, enfim, isto que a mim me faz uma certa confusão se calhar até é normal nos dias de hoje.

sábado, novembro 26

O desespero

Estou eu tranquilamente a fazer umas mudanças na minha casa e a ouvir umas músicas, quando o telefone toca! Olho para o visor, vejo que é um amigo meu de longa data. Atendo.

Este amigo parecia que estava doido. Andava já há uns tempos a seguir a mulher, e de cada vez que a via acompanhada com outro, ela negava tudo! E ainda lhe dizia que ele estava doido, que fosse com muita urgência a um psiquiatra.

Ora bem, isto tira qualquer um do sério! E ainda que aproveitasse e fosse também ao oftalmologista, pois devia andar a ver mal.

Em completo desespero, pergunta-me o que é que devia fazer, pois ela ia negar tudo novamente!

Diz ele: «Estou a persegui-los, e eles não param, o que é que eu hei-de fazer? Ela vai negar tudo outra vez.»

Nem sequer tive tempo para pensar e respondi-lhe: «Sei lá! Só se lhe mandar com o carro para cima!»

Não ouvi mais nada a não ser «pum!»… Vi logo que o homem tinha feito a porcaria que lhe sugeri. Como ele não desligou o telemóvel, fiquei à espera, preocupada, pois não se dá tal conselho a ninguém.

Passados segundos que a mim me pareceram uma eternidade, o meu amigo volta a pegar no telefone para me dizer, quase a chorar, que eles tinham fugido na mesma.

Fiquei contente. Pois dois carros de alta cilindrada a cento e tal à hora na estrada da Mealhada a mandarem-se assim para cima um do outro e sem ninguém sofrer danos era quase um milagre.

Esta mulher é muito puta! Tudo o que vestir calças... marcha! Morro de pena da secretária, pois sempre que esta arranja homem, a patroa saca-lho.

Há dias ela tentou negociar comigo uma tarde do meu trabalho pois tinha imensas perguntas para me fazer! Disse-lhe que viesse e que nem sequer me pusesse tal questão, pois era amiga dela e do marido há muitos anos.

Apareceu cheia de prendinhas com ar de falsa humilde e lá começa a minha consulta.
Como toda a gente sabe, as cartas tradicionais têm só quatro reis, nos quais nós marcamos os homens de quem queremos fazer as perguntas, só que ela trazia uma lista que nunca mais acabava e, cada vez que aquelas perguntas dos quatro homens acabavam, ela queria voltar ao princípio para saber de mais outros quatro.

Sou nativa de Capricórnio com ascendente em Leão, e a paciência não é o meu forte. Passei-me e pu-la na rua. Ofendeu-se e deu-me paz durante algum tempo!
Mas aquilo foi sol de pouca dura.

Ela não é nada inteligente, mas, como é mulher, é manhosa! Deixou que me passasse a pancada e manda a secretária telefonar-me para me pedir se a atendia.
Esta puta é viciada em mim, pensei eu!

Conheço a secretária há tantos anos, que lhe perguntei logo: «De quantos homens é que essa puta quer saber desta vez?» A outra começa a rir um pouco embaraçada e diz-me que ela só queria saber se o marido tinha alguma amante.

Começo a rir à gargalhada, pois a secretária estava numa situação danada: era amante do marido e era ela que lhe passava todas as informações.

«Está bem», respondo eu, «ela hoje quer que eu lhe minta, podem vir para cá.»
A secretária ficou contente com a minha cumplicidade e respirou de alívio.

Chegaram as duas muito risonhas, muito senhoras bem, e eu de pé atrás, pois a última cena que tivemos não era a primeira.
Ela é uma mulher mimada e melindra-se por tudo e por nada.
A nossa relação de consultora espiritual e cliente já andava um pouco abalada.
Sentou-se à minha secretária e começa por me dizer que andava desconfiada do marido.
E eu em vez de ficar calada e ouvir o que ela tinha para me dizer, respondi: «Então estão quites! Ele também desconfia de si!»

Ela, que devia ter tido uma atitude de mulher e virado costas à minha conversa, não! Fica ali na minha frente de trombas.

Vi que não tinha sido lá muito correcta, levantei-me da secretária e disse-lhe: «Acalme-se enquanto eu vou fazer um café.»

Tirei um café para ela, outro para mim, e fico à espera de que ela fale.
Nada! Esta mulher é tão mimada, que às vezes parece um garoto. Aquilo já tinha descambado outra vez.

Comecei a analisar a situação e achei que também não tinha dito mal nenhum. Já me conheço tão bem, que sabia que aquilo ia acabar outra vez mal.
Levantei-me, pois se a mulher não falava, era porque não me queria nada.
Passei pelo hall onde a secretária estava sentada e disse-lhe: «Vá buscar a sua patroa, ela hoje não quer falar!»

Fui para dentro, e só voltei quando ouvi a porta bater.
Não soube gerir esta situação, mas também não me importei nada! Eu até já estava farta daquilo!

Nunca mais a vi. Também não fiquei com saudades. A secretária continua a visitar-me. O marido está cada vez mais corno, mas gosta.

Há pessoas que têm o condão de nos irritar.
Eu acho que são situações cármicas mal resolvidas nas outras reencarnações.

quinta-feira, novembro 24

A casa da Aurora (III)

Estava eu no salão de cabeleireiro no outro dia, quando entra uma cara que me era familiar.
Olhando melhor, vejo que se trata da prostituta que fazia chantagem com o futuro sogro.

Bem vestida, bem calçada, de óculos caros, enfim… De facto, o dinheiro não admite miséria.
Aproximou-se de mim, desviei-me para um canto com ela e pergunto-lhe pelo sogro.

Esta história estava-me atravessada, pois queria saber o fim. Ela respondeu-me: «Está mal, deu-lhe um enfarte, e sou eu que trato dele e dos negócios. Já casei, e os meus sogros estão cá na minha casa por ser mais perto dos médicos. O meu marido fez uma sociedade de pinturas de interiores. Eu estou a fazer um projecto de um aldeamento com o engenheiro da empresa do meu sogro.»

Vi logo que ali havia coisa, agora com o engenheiro, ela riu-se e não negou.

O motorista continua a ser o tal chulo que não tem físico para aguentar duas lambadas, conduz o Mercedes do sogro e devem rir-se muito os dois das voltas que a vida dá.

Ela acabou por não arranjar o cabelo, pois tinha uma reunião importante sobre o tal aldeamento. Ainda tive tempo para lhe perguntar pelo apartamento dela, se aquilo ainda estava a funcionar, disse-me que sim, mas que ia lá poucas vezes por falta de tempo. Quem está a gerir esse negócio é o motorista, tem aquilo cheio de brasileiras, e pelos vistos corre bem.

Afinal, o dinheiro é que fala mais alto, e ela agora tem-no.
Quem diria que aquela triste tinha miolos? Fiquei a pensar nisso todo o dia.
Na verdade, ela não foi burra, mas com o dinheiro que tem agora, também não precisa de os ter, ela pode pagar a quem pense por ela, e o seu aspecto indica tranquilidade, disso não fiquei com dúvidas nenhumas!

Gostei de vê-la a sair de motorista com um ar tranquilo, até parecia que tinha sido rica toda a vida. Ainda há quem diga que o dinheiro não dá felicidade! Não é a minha opinião! O que eu acho é que não há relação nenhuma que resista à miséria, pois casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.

Por isso ela continua com o marido, talvez lhe dê jeito, e como são as empregadas que vão cuidado dele, ela não se preocupa muito com esse assunto, e deixa correr. Neste momento, tem coisas mais importantes em vista.
O marido é uma capa que lhe dá jeito, ela tem os trunfos todos. Só que talvez não seja a hora de pôr fim àquela situação.

Nunca vou saber o que é que lhe passa pela cabeça.
Começo a acreditar no provérbio popular que diz «Não há puta sem sorte».

terça-feira, novembro 22

O talibã

Hoje apareceu-me aqui em casa uma moça madeirense, ainda jovem, bonita, mas com uma tristeza profunda no olhar.

Há cerca de quinze anos conheceu um professor com quem veio para o continente, e com quem viveu até hoje.

Nunca casaram, porque a família dele sempre achou que uma moça que não tinha a mesma formação académica que ele não estaria à altura deste grande homem.

Mas mesmo assim lá foram vivendo juntos, sem ela criar grandes problemas, apesar de o homem não prestar para nada, gastando o ordenado dele e o dela também, que sempre trabalhou.

Como gostava dele, aguentou tudo. Sem família por perto, sem ter sequer quem lhe desse um conselho, ou até um pouco de apoio, a moça por cá se foi aguentando.
Só que agora as coisas tomaram tal rumo, que não dá para continuar.

A última que este grande homem lhe fez foi casar com uma prostituta ucraniana que trabalha num bar de alterne muito perto da casa deles.

Foi uma colega dela de trabalho, e grande amiga, que lhe contou a situação, pois ele foi alugar casa para a mulher com quem casou a um familiar da amiga, que até a levou a ver o apartamento.

A madeirense calou-se mais uma vez e, quando ele foi tomar banho para sair, roubou-lhe uma chave que ela não conhecia, do bolso das calças.

Ele saiu, ela passado um pouco foi atrás dele, e depressa o encontrou na casa que a outra lhe tinha ido mostrar.

Não fez escândalo! Ficou à espera talvez de o ver sair. Mas os nervos traíram-na e não a deixaram ficar quieta. Passado um bocado, mete a tal chave na fechadura e entra devagarinho na casa da rival.

Em cima de um sofá está a roupa dele toda direitinha e as chaves do carro também.
Pegou naquilo tudo, voltou a sair e foi para casa.

Quando o sr. doutor saiu do quarto, nunca mais viu nada do que era dele.
O que é que este triste pensou? Que tinha sido o chulo da nova mulher ou então um assalto! Mas não! O carro estava à porta da nova mulher. Meteu-se novamente para dentro, e que linda solução que eles arranjaram! Foi num lençol de flanela às riscas que fizeram um buraco no meio, ele enfiou aquilo na cabeça, calçou uns chinelos da ucraniana, pôs um gorro para não ser identificado, e foi embora a pé para casa dele, que ficava a uns quatro quilómetros dali, pela estrada nacional.

Andou um bom bocado sem problema nenhum, pois já eram quatro da manhã. Mas que grande surpresa um pouco mais à frente! Uma operação stop. O mal dele foi ter voltado para trás, pois a polícia desconfiou e não gostou daquilo, indo ao encontro dele, que se preparava para fugir.
Sem documentos, foi muito difícil explicar aquela indumentária, ainda por cima na altura em que foram praticados os atentados em Espanha.

Levaram-no para a esquadra, onde a “família de gente tão nobre” o teve de ir identificar.
Quem mais gozou com isto tudo foram os outros presos que lhe levantavam a burca e lhe viam o fio dental da ucraniana por baixo.

Não se sabe o que é que lhe terá acontecido mais, porque o resto o sr. doutor não conta.
Mas se aconteceu o que nós estamos a imaginar, a mulher dele já está vingada de todas as maldades que ele e a família lhe fizeram passar aqui no continente. A mulher só diz que ele saiu da esquadra em muito mau estado e farta-se de rir daquilo que fez.

sexta-feira, novembro 18

O corno bravo

Este relato é igual a tantos outros, só que desta vez estou metida num inferno com um corno a chatear-me o tempo todo.

Este corno quer por força saber o que é que a mulher me disse!
Como as consultas são confidenciais, eu disse logo que nem sequer sabia de quem é que ele estava a falar.

Isto começou assim: nesta semana, aparece-me aqui uma brasileira que é esteticista. Isto para mim é normal, pois a maior parte das mulheres casadas tem um amante e um marido com quem vivem.

Vinha triste e deprimida porque estava zangada com o amante. Ela resolveu ir fazer queixas dele a um colega, e acabaram os dois na cama. Se a situação já estava má, ainda ficou pior: o amante não lhe liga nenhuma, e com razão!

Então ela veio ter comigo para ver se eu a podia ajudar. Só que ela nunca me disse que tinha sido o marido a transportá-la, e muito menos que tinha ficado no carro à espera dela.
No dia seguinte, de manhã cedo, a minha campainha toca, e fui ver o que é que se passava tão cedo!

Surpresa! Era o corno. Começa por me dizer que a mulher tinha cá estado, que era brasileira e que era uma grande puta!

Não tive como negar e respondi-lhe: «Ah!, já sei quem é, mas olhe que ela pareceu-me uma mulher séria!»

Qual séria, qual quê, aquilo é uma grande puta! O homem estava roxo de raiva! Aí fui eu que comecei a ficar enervada, que culpa tinha eu de a mulher ser tão puta?

De repente, ele tira do bolso umas cuecas pretas tipo fio dental, cheias de esperma, e estende-as em cima da minha secretária. Passei-me e disse-lhe: «Tire já essa porcaria de cima da minha frente, seu porco!»

Ele começa a embrulhar aquilo com muito carinho e mete-as novamente no bolso. O homem acalmou com o meu grito e ficou muito calado.

Aí fui eu que lhe perguntei: «Mas diga-me uma coisa, se a mulher não presta, por que é que não a larga?» Ele respondeu-me muito triste: «Não posso, vendi tudo o que era do meu pai para lhe montar o salão e para mandar vir os filhos dela do Brasil. Além disso, a minha família nem sequer me fala.»

Aquele corno que chegou a minha casa capaz de me engolir começa a chorar na minha frente, que nunca mais acabava.

Quando por fim acalmou, mostra-me uma arma que tinha dentro do blusão e diz-me que o que vai fazer é matar essa grande puta. Deu meia volta e saiu sem sequer se despedir.

Fiquei preocupada e telefono para a puta a avisá-la! A puta era de força e telefona-lhe logo para discutir com ele. O corno telefona para mim novamente para me insultar.
Não liguei nenhuma, pois não estava a contar abrir-lhe a porta novamente.

Qual não é o meu espanto quando, passados dias, paro o meu carro em Tentúgal para tomar um café e os vejo todos contentes a comer pastéis e a rir, como se nada se tivesse passado.

Vim para casa e passo pelo atelier do meu amigo Pedro Olaio, para lhe contar esta cena e para lhe dizer que eu é que tinha razão, que os homens gostavam era de putas. Ele fartou-se de rir e responde-me: «Estás enganada! Eles gostam é daquilo que elas lhes fazem.»

Fiquei ali mais um pouco, pois gosto de o ver pintar, e vim para casa a pensar na grande sabedoria deste homem.

quarta-feira, novembro 16

A casa da Aurora II

Só nesta semana é que fiquei a saber o que é que se tinha passado com aquela chantagem da prostituta e do futuro sogro.

Aqui para nós, esta merece um elogio! Jogou alto e ganhou, ele não tinha mulher em casa?
Ele comprou-lhe um apartamento, e ela não largou o filho.
Ela continua a fazer a mesma vida.

Eu acho que a maior raiva e revolta do futuro sogro é que ela já não o quer, ele ameaça que vai encomendar uma tareia e que a deixa toda partida.

Ela diz que não está para andar o resto da vida a pagar-lhe o apartamento com a pita, pois ele agora não quer pagar as quecas e faz ameaças.

Julgo que a tareia pode acontecer, pois o homem sente-se enganado, mas a verdade é que ela não tem medo nenhum. Ou o conhece muito bem ou não tem consciência do perigo que pode correr.

Ela agora é empresária, tem uma brasileira e uma ucraniana a trabalhar para ela, a casa dela trabalha vinte e quatro horas por dia, está a facturar bem. O chulo que ela arranjou não tem físico nem para levar umas lambadas, só serve mesmo é para motorista.

O corno do namorado pensa que ela está a tomar conta de uns velhinhos e por isso não pode ir lá à casa onde ela trabalha. Entretanto, já comprou um terreno aqui nos arredores para construir uma casa para os dois.

Perguntei-lhe o que é que tencionava fazer com o noivo, e ela respondeu-me que não o largava, quando a casa ficasse pronta, que casava, e só fazia uns clientes de quando em quando, e que alugava o apartamento.

Achei que ela estava a ficar com cabeça de empresária, e gostei de a ouvir.
Claro que lhe perguntei se voltou a casa do sogro, respondeu-me que o filho está zangado com o pai porque ele lhe diz que aquilo não é mulher para ele, mas não lhe explica o motivo daquela embirração toda.

Continuo a achar que deve ter cuidado com o sogro, mas ela é que percebe desse assunto ao dizer-me que ele não lhe vai fazer nada.

De vez em quando dou comigo a pensar neste caso, e acho que talvez ela esteja certa, pois se ele já perdeu um apartamento, talvez não queira perder também a liberdade.

Há um dito popular que diz: quem com putas joga ao vinte... fica pobre ou pedinte.

segunda-feira, novembro 14

Coimbra continua a ser uma lição...

Tenho uma amiga que todos os dias me surpreende. A forma como ela vê e analisa os amigos ultrapassa de longe tudo o que se possa imaginar! Ainda está neste blog a história do burro que ofereceu uma a tábua de passar a ferro a uma puta. Agora imaginem oferecer uma puta a um amigo para lhe pagar um favor!

Esta amiga dá aulas num ciclo aqui próximo de Coimbra, e nos dias de hoje é quase obrigatório saber trabalhar com um computador; ora bem, por descuido ou por preguiça, ela, que nunca se preocupou com isso, viu-se obrigada a aprender.

Há um colega do mesmo ciclo que se ofereceu para lhe dar umas aulas, e a minha amiga aproveitou. Resultado: ela, que não gosta de ficar a dever favores a ninguém, resolveu agradecer a gentileza do colega, e como é sempre difícil escolher um presente para outra pessoa, pôs-se a pensar seriamente nesse assunto e chegou à conclusão de que o que aquele homem mais gostava era de cona.

Isto de facto era uma coisa que a iria obrigar a fazer alguns contactos para poder oferecer um presente tão original.

De repente, lembrou-se de que eu estava a escrever uma obra que tinha vários episódios sobre uma moça que é empresária no ramo da prostituição. Meteu-se no carro e veio ter comigo para eu lhe dar o contacto, embora ela também a conhecesse, pois a prostituta já tinha sido proprietária de um restaurante onde nós fomos almoçar algumas vezes.

Dei-lhe o n.º do telemóvel, não deixando de ficar surpreendida com tal oferta, e ao mesmo tempo rindo-me do insólito desta situação, e pensando para mim mesma que estas coisas só me acontecem a mim.

Pois bem, a minha amiga foi-se embora. Passados dias, quando eu quase já tinha esquecido o assunto, telefona-me a prostituta a dizer-me que a Sra. Dra. a tinha ido visitar e acertar o preço do seu serviço, etc.

Fiquei sem palavras! Que a minha amiga tenha feito este contrato já foi um caso no mínimo estranho, mas que ela tenha ido inspeccionar o produto antes de o pagar, aquilo já foi de mais!, pois o que ficou combinado comigo era ela deixar o dinheiro cá em casa depois de acertar horário, data e preço pelo telefone.

Neste caso até foi melhor assim, pois a prostituta está furiosa, não gostou do cliente e diz que não quer mais nada com tal pessoa, que de futuro a Sra. Dra. que lhe faça os pagamentos com a cona dela.

Adoro esta cidade e as surpresas que ela me proporciona, pois cada dia aprendo algo de novo. Vou pensar muito seriamente nos presentes que vou oferecer no Natal.

quarta-feira, novembro 9

O triste

A este caso eu acho imensa graça, vá-se lá saber porquê, pois isto é de facto uma tristeza completa. Não sei sequer como é possível que alguém consiga viver assim. Acho que é uma questão de habituação. Eu sei lá!

Estou a escrever e a rir à gargalhada. Pelas risadas que estou a dar, numa altura em que passei pelo inferno descalça, acho que vale a pena! Até porque, mesmo descalça, saí! Mas houve quem lá ficasse!

Vamos à história e pôr para trás das costas os maus bocados da vida.

Tenho uma cliente com ar de beata e que se veste de acordo com essa postura. Esta mulher é a reencarnação do Diabo.

Saia e casaco, blusa tipo camisa de homem, sapato de meio salto, nada de adornos, cabelos tipo homem.

O marido, pequeno, magro, óculos graduados, ar de assustado, fato e gravata.
Ele é contabilista; ela, funcionária pública.

A história começa quando a mulher encontra no meio das pastas de arquivo dele umas revistas pornográficas.

Aquilo foi o fim do mundo naquela casa! A mulher ia dando cabo dele, insultos de porco para cima e gritos de mandar com o prédio abaixo.

Pobre homem! Nem se atreve a abrir a boca. Mas se isto tivesse acabado por aqui... Uma discussão dá para aguentar, mas o que o homem passa todos os dias é de pôr qualquer pessoa doida.

Mal o homem sai de casa, começa ela: «Então, vais mostrar às putas o caroço que tens entre as pernas? Ai, que sou uma desgraçada, as putas amanhã vão todas rir-se de mim quando eu for para o trabalho. Eu nem vou é trabalhar, só para não ser gozada pelas putas.»

«Sou uma desgraçada, só consegui ter um filho porque passava às meias horas com os pés quase pendurados no tecto para entrar algum pingo de esperma.»

Mal esta cena começa, as vizinhas dão-se conta e começam todas a assistir por trás das janelas. Este circo não tem fim, mas ele também não desiste de sair, a fugir e a olhar para trás. Há uma vizinha que me conta tudo, pois até chega atrasada ao trabalho só para assistir ao espectáculo.

Este homem tem de estar profundamente perturbado.
Isto é caso para ser tratado por um bom psiquiatra, pois – mesmo que ele algum dia tivesse coragem para largar tal monstro, coisa de que eu duvido, pois os maus casamentos são os que mais duram – iria ficar complexado para o resto da vida e cheio de traumas.

De qualquer maneira, ele vai acabar por enlouquecer. Não acredito que algum ser humano aguente tal coisa.

A vida é de facto muito complicada para quem não tem coragem.

segunda-feira, novembro 7

Coimbra é uma lição…

Numa vila aqui bem próxima de Coimbra, havia um casal de professores que assim à primeira vista até era um casal normal, mas estas coisas nem sempre são o que parecem, e eu estou a viver na terra do faz de conta.

O marido era director de uma instituição, e a esposa dava aulas. Só que o marido fazia ausências para o estrangeiro com alguma frequência, o que deixava espaço de manobra para a esposa fazer aquilo de que mais gostava: sexo.

Estas vidas em terras pequenas depressa começam a circular, primeiro em segredo, que é quando tudo se sabe mais depressa, e depois à boca cheia, que é quando deixa de ter interesse.

Ora bem, depois de todo o mundo saber, menos o corno, claro!, os colegas do dr. combinam um jantar com muito aparato e muitos amigos, onde lhe participaram oficialmente que ele era corno. Mas que grande acontecimento!

O sr. director não morreu ali mesmo porque não calhou, mas que passou um mau bocado com os “amigos” a confortá-lo, lá isso passou! O homem ficou muito agradecido por ter tantos amigos, e a partir daquele momento passou a fazer tudo como eles mandavam.

Primeira coisa a ser por eles decidida era o sr. director fazer de conta de que ia viajar e ficar por cá mesmo para dar o flagrante na mulher. Ele assim fez! Passados uns dias, faz as malas, fingindo que viaja, e fica escondido na casa de campo de um deles.

Quando chegou a noite, começam alguns a fazer a vigia para ver quando a mulher saía de casa, até que por fim ela sai para se ir encontrar com o amante.

Com os telemóveis todos a funcionar, aquilo era uma alegria que só visto para todos, menos para o corno. Conseguem por fim dar com ela e com o amante numa clareira ali por perto. Fazem como que uma emboscada, aquilo parecia a guerra do Iraque!, pondo os carros todos à volta de faróis no máximo.

Aproximaram-se devagarinho, até porque não viam a cabeça dela. O corno do marido abriu a porta do carro do outro de repente, e eis que vê a sua esposa com a cabeça enfiada entre as pernas do amante. A atitude que o corno tomou foi digna de um senhor, foi ir buscar uma pasta de cabedal ao carro de onde tira uma folha de papel e uma caneta e começa e escrever o seguinte documento:

«Eu, fulano de tal. encontrei a minha mulher a chupar uma piça que não era a minha no carro de um cavalheio que não era eu, isto passou-se no dia tantos do tal. Agradeço aos amigos que me ajudaram a fazer esta grande descoberta que assinem este documento, que me poderá vir a ser útil para o meu processo de divórcio.»

Os amigos, surpreendidos, com aquela reacção, assinaram aquele documento histórico, que depois circulou em fotocópia por toda a vila. Ora bem, como eu sou gandaresa, nunca me tinha passado pela cabeça que um homem para ser corno precisasse de um atestado para o justificar.

É que quando estas coisas acontecem na minha terra, os cornos apanham uma besana tão grande, que até ficam de cama para se curar, e a coisa fica por isso mesmo. Cá por Coimbra, não! As pessoas são muito mais civilizadas!

Cada vez gosto mais de viver nesta cidade, pois todos os dias tenho cada lição de cultura, que até fico acordada na minha cama durante horas a meditar em tanta sabedoria.

sexta-feira, novembro 4

A casa da Aurora

Este relato de hoje é das coisas mais arrojadas que eu já ouvi.

Há uma prostituta que tem um quarto alugado na baixa de Coimbra, trabalha numa casa das mais antigas desta cidade, entre os arcos e a penitenciária, qualquer homem de cá sabe de que casa se trata.

Ao lado do quarto alugado da prostituta foi viver um rapaz que trabalha na construção civil, aqui por perto.

Embora ele viva nos arredores, achou que lhe ficava mais barato e menos incómodo alugar um quarto, do que fazer aqueles quilómetros todos os dias.

A viver ao lado um do outro, acabaram por se conhecer! Ele simpatiza com ela, ela viu ali uma maneira de sair daquela vida, pois já estava quase com quarenta anos e aí é que elas começam à procura de uma tábua de salvação, pois a nível de sentimentos: zero. Apresentam-se, ele diz-lhe que é pedreiro, ela diz-lhe que é modista, e lá começa o namoro. A vida dela continuou igual: sai de casa vestida normalmente, e no local de trabalho veste as minissaias, as botas acima do joelho e lá ia aviando os fregueses.

Ao fim do dia lá mudava novamente a indumentária e dava a volta ao pedreiro.
A situação foi evoluindo, até que o rapaz resolve ir apresentá-la aos pais, para falarem do casamento.

Meteram-se no Renault 5 e arranjadinhos lá vão para Miranda do Corvo. Esperaram que os pais dele saíssem da missa para irem à apresentação e à chanfana.

Mas que grande surpresa! O pai do rapaz era um dos clientes habituais dela, ela ficou na mesma,
«puta é puta», o pai é que ficou sem palavras, segundo ela me contou, tão branco e entupido, com um ataque de tosse, que todos lhe davam palmadas nas costas.

No dia seguinte, o homem, que não deve ter pregado olho a noite toda lá estava à porta da casa da Aurora à espera da futura nora.

Ela entra como se nada se tivesse passado.
Vão para o quarto e aí começam as negociações… Ele diz-lhe que ela tem de desistir daquela ideia de casar com o filho, e ela pergunta-lhe porquê.
«Se tu te calares, eu também me calo!», diz a prostituta, e o homem começa a oferecer-lhe dinheiro para ela largar o filho.

Aí é que ela começa a ver que pode tirar partido daquela triste situação.
Ele oferece, ela diz que é pouco, e ainda faz chantagem dizendo que conta tudo à mulher dele.
Ele mostra um ar aflito e diz que ela não pode fazer-lhe uma coisa dessas. Tudo menos falar com a mulher dele.

«Pronto, já estragou tudo!», penso eu ao ouvi-la. Ela é puta, mas não é burra, e quando se trata de dinheiro, aí, sim, os cinco sentidos dela ficam mais apurados e começa a raciocinar.
Neste chove-e-não-molha, a parada já vai alta, e ela não tem nada a perder.

Vou esperar que ela apareça novamente, pois estou interessada em saber o que é que este burro vai fazer. Ele está cheio de medo da mulher, e a puta vai tirar partido da situação.

Quem com putas se mistura, negra é sua ventura.

quarta-feira, novembro 2

O homem invisível

Havia, numa aldeia perto de Mira, um casal de apaixonados que tinha algumas dificuldades nos seus encontros amorosos, por ele ser um homem casado e ela ser “amiga” da esposa dele.
Numa situação destas, todo o cuidado é pouco, como se sabe.

Eles, sempre preocupados em arranjar locais onde não pudessem ser apanhados, lembraram-se de ir para a praia da Tocha. Aquela praia de areias muito brancas e com bastantes dunas era o paraíso para eles.

Em pleno mês de Março, e com as primeiras tardes de sol, as gentes daquela zona andam numa grande azáfama a semear as batatas. Portanto, estava fora de questão alguém normal ir a banhos numa altura do ano em que o trabalho no campo é muito e duro.

Começando eles a dar a primeira queca, com a senhora de joelhos e ele por trás, eis que ela, mais atenta, com um olho no burro e outro no cigano, descobre por detrás de uma duna e no meio daquelas ervas altas um vulto, ou seja, uma cabeça com um saco de plástico branco com dois buracos no sítio dos olhos. Chama o seu amante à atenção, dizendo-lhe: «Pára, que está ali o homem invisível a espreitar-nos!»

Ele pára o serviço, vestem-se e ficam sentados na areia, talvez à espera de que o intruso, depois de ser visto, se fosse embora.

Tremendo engano! Ele não só não se foi embora como ainda fez questão de ser visto!
Foi para bem perto deles, numa praia tão grande, vestido e com o tal saco de plástico na mão.
Começou a despir-se, ficou nu, e ia dobrando a roupa para dentro do tal saco com os dois buracos. Vestiu um calção de praia, foi molhar só os pés, pois a água nessa altura do ano está gelada. Voltou para perto do casal, que estava espantado com tal descaramento, voltou a pôr-se nu, vestiu-se calmamente e desapareceu dali.

Como a senhora esteve sempre atenta a todas estas manobras do intruso, o amante começou a dar-lhe cabo da paciência com uma cena de ciúmes, dizendo-lhe que ela estava doida a olhar para a piça do outro.

Ela – que já estava aborrecida por aquilo, que estava tão bem planeado, ter corrido tão mal, e ainda por ter sido observada por um estranho, que é coisa de que ninguém gosta – responde-lhe: «Olha, não me chateies mais, porque se ele tinha piça, era invisível, que eu não consegui ver nada!»