sábado, outubro 22

Os porcos

Aqui há uns tempos tive um dia giro. Estava eu no café que há aqui por baixo da minha casa, conversando com uma amiga, quando começo a ver um velho mal-encarado a andar para cá e para lá em grande estado de nervosismo.

Como todas as mulheres, sou curiosa e tento saber o que se passa ali.

A situação, segundo a minha amiga me relatou, não tinha nada de especial. Foi uma prostituta cá do bairro que saiu com um cliente, não esperando que o benfeitor dela lhe fizesse uma surpresa! O homem era o Transmontano, um dos amantes dela.

Eu soube logo de quem se tratava, pois é uma das prostitutas mais conhecidas cá do bairro, pelo jeito engraçado que ela tem de andar. Enquanto as outras mulheres maneiam a anca no sentido do pêndulo do relógio, esta manda com o cu e o resto para a frente e para trás. Talvez defeito da profissão!

A situação começa a complicar-se à medida que os minutos vão passando, e nós à espera do desfecho daquilo…

Nisto, chega ela com o careca, que se pôs logo a milhas… Ela, coitada, aparece meio comprometida e começa a levar um arraial de pancada.

Aí, o Transmontano começa a perguntar-lhe quem é que lhe paga a renda, os abortos, os consertos do carro, os comprimidos da dieta, etc.

Com os «comprimidos da dieta» eu até fiquei admirada! Será que agora há alguma dieta para a fome!? É que os almoços daquela criatura eram dois rissóis, três finos e dois martinis. Enfim, aquilo era um nunca mais acabar de pagamentos.

Ela, que já o conhecia bem, deixou o homem descarregar a fúria toda e começa a fazer-lhe festas na perna por debaixo da mesa. O homem de facto acalmou, e lá foram os dois para casa dela, pôr aquela situação em dia, pois na cama tudo se resolve.
Não existe santa mais santa que uma puta arrependida – pensei eu.

Passados uns meses, aparece-lhe um triste que pensava estar a fazer a corte a alguma senhora…

Vinha pagar-lhe os pequenos-almoços, os lanches e até a vinha buscar para jantar. Mostrava-a em tudo o que era sítio, como se esta prostituta não fosse já sobejamente conhecida.

A este burro com canudo nem lhe passou pela cabeça que bastava pagar-lhe a conta da mesa para a levar para a cama.
Todo o ritual que ele fazia para o engate era ridículo.

Segundo consta, este romance só por burrice dele ia acabando, pois a primeira prenda que ele lhe ofereceu foi uma tábua de passar a ferro para ela lhe passar as camisas.
Como é que um homem com um curso superior se lembra de oferecer tal prenda a uma puta!?

Passados alguns dias, a puta põe a ofensa para trás das costas, pois qualquer mulher destas sabe que os anos não perdoam, e a idade já não era grande aliada. Esta profissão é como a dos jogadores de futebol, também não dura muito tempo. Além disso, o físico já não ajudava nada, pois o cu já lhe caía para as pernas e a miséria era mais do que evidente.

Ela, que deve ter pensado nisso tudo, deixou-se de esquisitices e lá começa novamente a ir dormir para casa dele, após os engates, claro!
Nunca se viu tanta falta de imaginação.

Este burro com canudo faz-me lembrar um emigrante da Mealhada que chegou de França e arranjou logo uma amante ali por perto. Como as amantes dão algumas despesas, ele começou logo a tentar arranjar uma solução para se livrar de tantos gastos, e... Bingo! Arranjou mesmo! Comprou-lhe um porco barrasco, e lá começa a amante o seu negócio, a andar com o porco à trela de porta em porta por tudo o que era aldeia ali nos arredores.

Este pelo menos teve imaginação, além de pôr o porco a fazer aquilo de que também ele mais gostava.