quarta-feira, junho 14

Episódio final

Tinha decidido terminar hoje este blog, mas, não quero fazê-lo sem vos contar este episódio que guardei para o final.

Aqui há uns tempos, logo pela manhã, telefona-me uma senhora da Figueira da Foz a perguntar-me se eu, no dia segiunte, ia ver a Académica. Eu respondi: «Não, mas porquê!?»

E ela respondeu: «É que eu ia dizer-lhe em que bancada o meu marido se ia sentar, porque eu hoje à noite vou fazer-lhe uma panelada de sopa e vou pôr-lhe uma purga lá dentro! Ele não vai ter oportunidade de ver jogo nenhum, pois tem de passar o tempo todo a correr para a casa de banho. Se eu pudesse, matava-o! Pois a amante dele hoje telefonou-me a dizer que já pariu e que o filho foi feito em minha casa enquanto eu estive internada. E até me disse que lençóis é que eu tinha na cama.»

Tentei acalmar a mulher, mas cheia de vontade de me rir com a porcaria de vingança que ela arranjou.

Volto à minha vida, quando me começa a apetecer um bocado de leitão. Telefono a uma amiga para lhe perguntar se queria ir à Mealhada, e ela responde-me que não, que tinha de ir às urgências do hospital.

Respondi-lhe: «Espera, que eu levo-te lá! Mas afinal o que é que tens?»

Diz ela: «Olha, dei uma foda e devo ter-me esquecido de tirar o tampão, pois quanto mais me lavo, mais mal cheiro.»

Fartei-me de rir, mas já não fui a parte nenhuma. Descongelei leitão e já não saí.

Quando vou para dormir uma sesta, telefona-me outra amiga que me diz: «Sabes uma coisa?» E eu respondo: «Não! Diz lá.»

Diz-me ela: «Eu sou só cona dos pés à cabeça. Sou toda cona, não tenho coração, não tenho sentimentos, não tenho nada! Só cona.»

Eu perguntei-lhe o porquê daquela conversa, e ela respondeu-me: «Sabes, é que o homem que anda comigo só me telefona de segunda a sexta, que são os dias em que pode vir foder. Mulher que ande com homem casado é isso: Cona! E, como tu sabes, as conas não falam!»

A forma como esta mulher, que tem dois cursos superiores, analisou o comportamento do homem que ama deixou-me a pensar.

Quando toca a sentimentos, as mulheres são todas iguais. A que quer pôr o marido a correr para a casa de banho é uma mulher do povo, empresária de distribuição de peixe, ou seja, na gíria, peixeira; a outra é toda cultura e toda cona.

Por fim lá consegui dormir um bocado.

Só que o meu dia não acabou aqui!

Às cinco da tarde, quando saí para ir lavar o cabelo, encontro na esplanada que fica dentro do centro comercial do Arnado uma amiga que é um amor de pessoa, mas nervosa como tudo.

Pergunto-lhe se não estava de serviço, e ela disse-me que tinha trocado o dia e que só ia para a clínica à meia-noite, porque antes tinha de ir ver se o homem com quem anda ia tomar café com a mulher, só que não podia ir no carro dela porque não queria que ele a visse.

«Já sei, queres que vá contigo.» Ficou toda contente, pois ela adora andar comigo.

A minha amiga veio ter comigo às oito horas, fomos as duas comer uma picanha e um crepe ao Dom Duarte, e lá fomos nós fazer a pesquisa dela. Fartámo-nos de rir. Ele viu-nos primeiro que nós a ele.

Ele gostou de a ver e, entretanto, já eram onze horas da noite. Vínhamos para Coimbra quando começámos a ver os laser de uma discoteca e resolvemos entrar. Ela já tinha falado com um colega a dizer que ia chegar um pouco atrasada. Sentámo-nos a beber uma água quando me dá um ataque de riso que não conseguia parar!


Então não começo a ver as personagens do meu blog!? As putas da minha terra todas na pista a dançar! Eu não estava a acreditar no que via! Era a que fez de mim chulo! Era a do sr. prior! E era a devota, as três ali!

Contei à minha amiga, e ela também se ria como doida, pois o riso é contagiante.

Com o escuro, eu estava na dúvida! Então começo a olhar muito atentamente para a que costuma encontrar-se comigo em Cantanhede, ela também olhava atentamente para mim!

Começámos as duas a rir, pois tínhamo-nos reconhecido. Ela veio ter comigo toda contente, e eu também, pois adorei vê-la. As outras também vieram cumprimentar-me.

Já de regresso a casa, pois a minha amiga tinha mesmo de ir trabalhar, continuava a rir-me.

O dia tinha sido tão louco, que naquele momento eu já me ria por tudo e por nada.

E é com um sorriso nos lábios que entro hoje de férias.
Despeço-me temporariamente de vocês,
um beijinho e até breve.

sábado, junho 10

A conquista

Ao longo deste blog, estou farta de dar à língua sobre peripécias que se passam na minha terra.
Ora bem! As histórias da minha terra comparadas com as de Coimbra são verdadeiras histórias da carochinha.

Nos cá por Coimbra temos de tudo o que se possa imaginar, até um auxiliar de acção médica que é um verdadeiro tarado. Não pode ver um homem doente ou saudável que seja peludo, pois fica doido para o comer.

Numa noite em que estava de serviço, deu-se uma grande bronca no hospital entre ele e um médico a quem ele foi ao cu.

Pelo que me foi contado o enfermeiro andou parte da noite a fazer o namoro ao médico, fazendo-lhe alguns elogios sobre o traseiro dele, de como era apetecível, como ele era charmoso visto de costas, que adorava comer um cu tão bem feito, etc.

O médico foi sensível a todo este namoro, e a coisa dá-se.

Mas que pouca sorte a deles! Logo que se embrulharam um no outro ficaram colados.
Deve haver alguma explicação clínica para este incidente, porque o cu do médico fez garrote, e não deixava que o pénis do tarado saísse.

Como aquela triste cena não se resolvia por si só, tiveram de pedir apoio ao pessoal que estava de serviço nessa noite.

Esta cena foi um escândalo de que não há memória, pois todo o pessoal do hospital teve conhecimento deste estranho episódio.

Depois de chamarem quem os pudesse ajudar nesta triste situação, o médico pede para serem levados os dois – claro!, pois eles não de despegavam um do outro – para o bloco operatório.

O pessoal que estava com o problema para resolver lembrou-se de ir buscar um carro de transportar a roupa suja, que é idêntico aos dos supermercados mas muito maior, para os conduzirem sem dar muito nas vistas. Com alguma dificuldade lá os meteram no carrinho.

Então é que o tarado se ria até às orelhas, pois era ele que ia montado no sr. Doutor. O pessoal que os transportava para o bloco bem que os tapava com um cobertor, só que o tarado destapava-se, pois fazia questão de ser visto, porque para ele era uma grande honra ir montado no sr. doutor com este a fazer de mulher.

Se eu já me fartava de rir com as histórias das gandaresas, imaginem o que eu não gozo com toda esta formação académica.

segunda-feira, junho 5

O cobertor

Há por aqui cada história que eu não posso deixar de contar pois tudo isto são coisas que acontecem todos os dias em qualquer lugar desta linda cidade de Coimbra.

Há dias, um enfermeiro, gente boa, chega ao serviço para fazer o seu turno da meia-noite, quando um colega lhe diz que aquele turno lhe pertence a ele.

Teimaram os dois um bom bocado, até que resolvem ir ver a escala do serviço.

De facto, o que já lá se encontrava tinha razão, aquele turno era dele. Deu-se conta do engano, despediu-se do amigo e voltou para casa, tentando fazer pouco barulho para não incomodar a mulher, que já devia estar a dormir.

Quando vai a entrar no quarto para ir dormir, acontece-lhe o inesperado: leva com um cobertor pela cabeça abaixo.

Lutando atrapalhado para se livrar daquilo, eis que de repente consegue agarrar alguém por um braço, nem sequer sabendo quem, pois a outra pessoa continuava a tapar-lhe a cabeça com o cobertor para que ele não a visse, e o homem, coitado, não conseguia enfardar no outro e livrar-se do cobertor ao mesmo tempo.

Até que no meio da escuridão em que se encontrava lá arrasta com o intruso para a cozinha. Conseguiu apalpar uma garrafa e, mesmo abafado, arranja maneira de mandar com ela na cabeça do outro, que mesmo às escuras tinha levado um grande arraial de pancada.

Quando o enfermeiro consegue acender a luz, teve a maior surpresa da vida dele: era o vizinho do lado, que já estava quase morto. E que já devia andar a fazer os mesmos turnos que ele há muito tempo lá por casa.

O enfermeiro, quando viu o estado em que o tinha deixado, chamou uma ambulância e manda o outro para o hospital, onde este fica durante muito tempo nos cuidados intensivos, pois aquilo tinha sido a doer.

Segundo consta, este homem que levou com o cobertor parece que tem um físico que impõe respeito.

Quanto à puta da mulher, deve ter ficado passada com a surpresa, pois nunca saiu da cama, coitada. Foi posta na rua em camisa de dormir, até hoje.

terça-feira, maio 30

O corno chato

Sábado, 17 horas.
Calor de morrer em Coimbra.

Estou eu a ver um filme, deitada na minha cama com o ar condicionado no máximo, quando a campainha toca…

Espreitei pelo vídeo, e era aquela amiga que tem o fétiche por trolhas jovens.

Abri a porta, e ela subiu num estado miserável, pois tinha feito mais uma lavagem gástrica depois de mais uma tentativa de suicídio.

Tive pena dela, pois a situação está igual: o marido não dá solução àquilo. Ela sozinha também não consegue.

Já vinha com mais comprimidos no estômago, e eu lá tentei que ela comesse qualquer coisa.

Começamos a conversar, onde ela começa por me dizer que já não consegue olhar para o marido, pois quando ela chega a casa o marido está com uma bomba de vácuo a aumentar a pila para lhe saltar para cima quando ela chega do trabalho.

Não faço ideia de que instrumento será aquele, mas eles lá sabem! Mas, pelo que ela me contou, o tamanho aumenta consideravelmente. Não lhe adianta nada, porque ela gosta mesmo é do trolha, e aí não há nada a fazer.
A verdade é que ela não o quer na mesma.

O marido, furioso com as negas, tirou-lhe as chaves do carro e os telemóveis também. Ela não esteve para estar a aturar o massacre e pegou no carro dele e veio até aqui, pois a verdade é que ela não estava em condições de ir para mais longe.

Ela neste momento está mais furiosa que nunca, pois o marido foi contar tudo à mãe dela, o que só piorou as coisas.

Para a família não estar preocupada, eu peguei no telefone e liguei para o marido a comunicar-lhe que ela estava cá em casa. Burrice minha! Ele, que não se conforma com os cornos que tem, deu-me massacre foi a mim! A perguntar-me se eu achava bem o que ela andava a fazer. Se achava bem o adultério, etc.

Eu respondi que não sabia nem me interessava o que é que ela andava a fazer, que resolvessem isso entre eles.

Quando desliguei, fui arranjar-me para jantar, pensando que estava livre daquilo. E aí liga-me ele novamente a perguntar-me porque é que eu a tinha deixado ir sozinha para casa, pois ela tinha-lhe mandado com o carro contra um muro.

Mais uma vez respondi ao sr. dr. que ela tinha cá chegado sozinha e que nem sequer me tinha passado tal coisa pela cabeça de ter de a ir pôr em casa.

Levei uma seca e tanto, já farta desliguei-lhe o telefone.

Como eu agora a compreendo… Ela, farta disto tudo, ontem mesmo foi comprar uma corda, meteu-a no pescoço e tentou enforcar-se. O ramo do pinheiro partiu-se, e ela está hospitalizada em psiquiatria.

Com o pescoço todo esfolado, com a cabeça a funcionar mal, com um marido que além de contar à família toda que é corno só para se vingar dela, com o trolha para se casar com outra.
Quem é que aguenta?

Que motivos tem esta criatura para querer curar-se? Dá-me pena! Pois ainda é jovem e podia começar uma vida nova, mas enfim… Por mais que tente compreender estes comportamentos, cada vez entendo menos o ser humano.

O divórcio é uma solução. Mas com vários anos de experiência, chego a esta triste conclusão: os maus casamentos são aqueles que mais duram.

segunda-feira, maio 29

A putaria começa em qualquer idade

Há uma senhora aqui nos arredores de Coimbra que ficou viúva aos 71 anos.

Boa esposa, sempre de mão dada com o seu marido vendo na televisão os programas de que ele mais gostava, criando três filhos que hoje são homens, enfim, até ficar sem o seu companheiro foi uma mulher exemplar.

O marido era gerente bancário; ela, professora.

Depois de ficar viúva, reuniu os filhos e disse-lhes: «O vosso pai já morreu, e eu agora vou viver a minha vida.»

Os filhos pouco ligaram a esta conversa, pensando que a mãe queria andar mais metida na igreja ou ajudando em obras de caridade ou outra coisa assim do género.

Que grande engano o deles quando não viram nenhuma maldade nesta conversa.

Todos estiveram de acordo em que ela fizesse a vida que quisesse e entendesse. E é aqui começa a grande odisseia, pois esta velha é de força.

A senhora vai de viagem numa excursão do INATEL onde conhece um viúvo com 65 anos que gostou imediatamente dela, foi amor à primeira vista.

Houve uma visita a uma romaria no Norte do país onde mete sempre um bailarico. Depois destas danças e contradanças, os dois ficaram logo de namoro. Como ele era de uma povoação vizinha, os dois ficaram com a situação facilitada.

Então ela fazia o seguinte: quando chegava a noite, ficava com a pita aos saltos para sair, dava dois murros na almofada, punha os cobertores para trás, a camisa de dormir em cima da cama, e saía de casa de mansinho.

Ia ter com o namorado e de manhã chegava bem cedinho com um saco de pão.

Os filhos não davam conta de nada. Vadios de marca maior, até hoje ainda não se aperceberam de que a mãe nem sequer dorme em casa.

Eis que um dia chega um irmão do namorado que vivia em França e queria vir acabar os últimos dias na sua terra, pois tinha ficado também viúvo.

Num almoço que o irmão fez para ele conhecer a sua namorada, ele também gostou da viúva. Aquilo foi o almoço todo a encostar perna por baixo da mesa, até que a senhora arranjou maneira de lhe passar um papelinho com o seu número de telefone.

A vida desta mulher está um stress: Os dois irmãos moram na mesma aldeia, então ela passa primeiro na casa de um, e a seguir na casa do outro.

Ainda não sei como é que isto vai acabar, mas até agora os três estão felizes, pois os filhos ainda não se deram conta desta pouca-vergonha toda.

Esta velhota é o máximo! Nunca pensei que ela, depois de viúva, tivesse uma vida sexual tão activa, mas se ela se aguenta com dois homens, está em muito boa forma. Até esta mais jovem. De facto, fazer amor é muito mais eficaz que qualquer lifting.

quarta-feira, maio 24

A paixão enlouquece

Aquela amiga que fez o filme porno está a passar um mau bocado! A forte depressão que apanhou a seguir, e com todos os antidepressivos que está a tomar, está a ficar de tal forma, que eu acho que isto que está a ultrapassar tudo o que se possa imaginar.

O médico psiquiatra que é amigo dela aconselhou-a a arranjar imediatamente outro homem para substituir o que a estava a fazer sofrer tanto, pois só assim se curava.

Como ela está de facto fragilizada, não esperou tempo nenhum e de imediato combina um encontro com um amigo de Viseu que andava doido para a comer.

Ele ficou radiante por ter a situação tão facilitada, que lhe pediu se ela ia ter com ele a Viseu, e se poderia lá estar por volta das dez horas da manhã para poderem estar um bom bocado juntos.

Como ela entendeu naquela cabeça doente que quanto mais depressa fosse para a cama com outro, mais depressa se curava, às oito horas da manhã já estava em Viseu.

O outro ficou espantado com aquela pressa toda, mas lá tomou banho à pressa para ir ao encontro.

A verdade é que a coisa nem teria corrido mal se ela, enquanto ele a montava desde as nove horas até à uma da tarde, não estivesse o tempo todo a gritar debaixo deste pelo nome do outro.

Ora bem, ninguém gosta disto! Mas como não desgostou da situação, mesmo sendo chamado pelo novo nome que ela fazia questão de lhe chamar, ainda marcaram outro encontro.

Mas como ela via neste homem a cura para os seus males, começou a exigir que ele fosse para a cama com ela duas ou três vezes por semana.Aí ele passou-se e acabou com aquilo de imediato, pois não tinha disponibilidade para estar fora da sua empresa tanto tempo como ela queria.

Eu gosto imenso dela, mas estou a ficar sem paciência, pois também tenho a minha vida.
No sábado passado, às oito da manhã, já ela me estava a telefonar para eu ir sair com ela, pois queria ir a Leiria às compras. Chateei-me com o horário das compras e desliguei-lhe o telefone na cara, meu Deus, mas que manhã eu tive! Ela não admite ser contrariada e veio de imediato para minha casa.

Quando a campainha da minha porta começa a tocar sem parar, eu levantei-me da cama e fui abrir, pois não queria que ela acordasse o prédio inteiro.

Vocês acreditam que era um vizinho meu com ela ao colo, pois ela tinha conseguido atropelar-se a ela própria com o seu próprio carro?

Pois bem, os nervos dela foram de tal ordem por eu não a atender, que saiu do carro sem o travar, e o carro passou-lhe por cima até que uns senhores que estavam aqui por perto o seguraram! De qualquer maneira, o carro veio contra as pernas dela e ela caiu. Embora ficasse com os dois joelhos danificados e amassados, não ficou com nada partido.

Lá ficou toda a manhã deitada no meu sofá com gelo nas pernas, e eu a dar-lhe comprimidos para as dores.

Não a levei ao hospital, pois ela já tinha sido assistida por um médico aqui mesmo por baixo do prédio em que vivo, que lhe tirou logo as botas para o caso de ter fracturado as pernas.

Por acaso, estava maltratada, mas sem nada partido, porque nesse caso eu ficaria a sentir-me muito culpada por não lhe ter atendido o telefone.

Eu perdi o meu sossego. Acreditem que todos os dias rezo para que ela arranje homem com muita urgência, pois não gostaria mesmo nada que fosse uma mulher a dar cabo de mim.

Pois bem: para tudo o que me anda a acontecer – pois ela grita e chora que não me posso zangar com ela neste momento em que anda tão doente – só tenho este comentário: os deuses devem estar loucos!

segunda-feira, maio 22

A casa da Aurora n.º 4

Como a vida é fácil para algumas pessoas!

Hoje por casualidade encontrei num centro comercial aqui em Coimbra a protagonista da casa da Aurora, e qual não é o meu espanto quando a vejo com dois gémeos nos respectivos carrinhos de luxo, duas amas e o seu motorista.

Isto tudo, ou seja, toda esta situação tem cerca de três anos desde o quarto alugado na baixa de Coimbra, do seu namorado pedreiro, e do amante que era o pai do namorado. O construtor.

Pois bem, não fiquei muito surpreendida, porque acho que a vida é mais fácil para quem não tem nada a perder.

E de facto, na altura em que ela andou com toda aquela chantagem com o sogro, ela nada tinha a perder; no entanto a situação agora é muito diferente, pois ela agora já não é a prostituta que trabalhava na casa da Aurora, mas sim uma senhora empresária.

Já não vive com o marido, pois o sogro já faleceu, e a partir desse momento foi ela que ficou com a firma dele.

Isto, segundo ela me contou, anda tudo em tribunal, mas do que é que adianta depois de o sogro lhe ter feito uma procuração com plenos poderes para ela o substituir?

Está de namorado novo, outro construtor, mas este com muito boa apresentação, e com um ar de chulo que dá medo!

Ele não a deixa falar muito tempo com ninguém, pois deve estar para lhe fazer o mesmo que ela fez ao de Miranda do Corvo.

Enfim, ela lá me foi dizendo que ele está a pedir o divórcio, e que a mulher está de acordo, no que eu até acredito, pois a firma deles estava falida, e eles devem estar a ver ali a sua tábua de salvação.

Cá para mim estão feitos um com o outro. Marido e mulher, claro!

Não tive sequer tempo para a avisar de nada, pois ele não saiu de perto.
Está gorda, bem arranjada, mas triste, pois, segundo me disse o motorista, este homem está vinte e quatro sobre vinte e quatro horas por perto, só se afasta para ligar para a mulher dele.

Este golpe vai ser muito parecido com o que ela deu ao outro.

Já começo a acreditar na justiça divina, e com a certeza que os herdeiros daquele património todo vão ser estes dois: o casal oportunista.

Talvez ela fique com a casa de meninas que está a ser gerida pelo motorista. A vida dá muitas voltas e por vezes volta ao princípio.

Só que subir não custa, mas descer deve ser tremendo.

Não fiquei a saber quem é o pai dos garotos, também não interessa, são lindos e parecem saudáveis.

Ela é que parece que perdeu a alegria de viver.

A cara dela não é a mesma, será porque no tempo em que andava com o sogro e com o marido ao mesmo tempo era mais feliz?

Ou estará a ficar com remorsos de tudo aquilo que fez?

Não acredito que assim seja, pois ela planeou tudo atempadamente. Pode de facto é estar com saudades da liberdade e da vida que tinha.

Esta história não deve ter um final feliz, pois verifiquei que ela está de trela curta. Mas, cá para nós, ela fez por merecer.